
Um alerta sanitário acendeu o sinal vermelho para consumidores de chás industrializados no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento do lote 6802956 do Chá de Camomila Lavi Tea, da marca Água da Serra, após análises laboratoriais identificarem mais de 200 fragmentos de insetos por dose, além da presença de larvas inteiras no produto.
A decisão expõe falhas graves no controle de qualidade e reacende o debate sobre segurança alimentar, fiscalização e os limites legais de tolerância para matérias estranhas em alimentos consumidos diariamente por milhões de brasileiros.
O que levou a Anvisa a recolher o chá de camomila
O recolhimento teve início de forma voluntária, comunicado pela própria empresa Água da Serra Industrial de Bebidas S.A., após a identificação de possíveis irregularidades em seus controles internos. A partir disso, a Anvisa solicitou e analisou laudos técnicos laboratoriais, que confirmaram o problema.
Os testes apontaram dois achados considerados críticos:
- Presença de matérias vegetais não usuais, como talos, ramos e sementes incompatíveis com um chá de camomila adequado ao consumo;
- Contaminação severa por insetos, com 14 larvas inteiras e 224 fragmentos de insetos em apenas 25 gramas do produto.
Pela legislação sanitária brasileira, existe um limite máximo de tolerância de até 90 fragmentos de insetos por amostra, em razão de limitações tecnológicas inevitáveis na produção de alimentos de origem vegetal. O número encontrado no lote analisado ultrapassa em muito esse teto, caracterizando não conformidade sanitária grave.
Diante das evidências, a Anvisa oficializou o recolhimento, determinando a suspensão imediata da venda, distribuição, divulgação e consumo do lote afetado.
Quais são os riscos de consumir chá contaminado
Embora pequenas quantidades de matérias estranhas sejam toleradas pela legislação, a presença excessiva de insetos e larvas indica falhas estruturais nas boas práticas de fabricação e pode representar riscos reais à saúde.
Entre os principais efeitos associados ao consumo de produtos contaminados estão:
- Desconfortos gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia;
- Reações alérgicas, especialmente em pessoas sensíveis a proteínas de insetos;
- Maior risco para grupos vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas;
- Indícios indiretos de armazenamento inadequado, excesso de umidade e falhas no controle de pragas, que podem favorecer a proliferação de microrganismos.
Mesmo quando não há registro imediato de intoxicação, produtos com esse nível de contaminação são considerados impróprios para consumo.
Por que o controle sanitário é crítico na produção de chás
Chás à base de plantas secas exigem rigor redobrado nos processos industriais. Desde a colheita até o envase, o produto passa por etapas que aumentam o risco de contato com insetos, poeira, resíduos vegetais e outros contaminantes.
As Boas Práticas de Fabricação (BPF) determinam uma série de medidas obrigatórias, como:
- Seleção criteriosa de fornecedores;
- Controle efetivo de pragas;
- Ambientes com umidade controlada;
- Higienização de equipamentos;
- Inspeções visuais e uso de peneiras e separadores;
- Análises laboratoriais periódicas;
- Treinamento contínuo de funcionários.
O caso do lote 6802956 indica que uma ou mais dessas etapas falharam, exigindo revisão de processos e reforço nos programas internos de qualidade.
Como funciona o processo de recolhimento determinado pela Anvisa
O recolhimento de um alimento pode ocorrer por iniciativa da empresa, por denúncias de consumidores ou por ações de fiscalização. Quando confirmado o risco sanitário, a Anvisa coordena uma série de medidas obrigatórias.
No caso do chá de camomila, o processo inclui:
- Retirada imediata do produto de pontos de venda, centros de distribuição e estoques;
- Interdição total do lote, proibindo fabricação, comercialização e divulgação;
- Orientação formal aos consumidores, recomendando a interrupção imediata do uso;
- Fiscalização e comprovação, exigindo que a empresa demonstre o recolhimento, descarte correto e correção das falhas identificadas.
O descumprimento dessas determinações pode gerar sanções administrativas, multas e outras penalidades previstas em lei.
O que o consumidor deve fazer
Quem adquiriu o lote 6802956 do Chá de Camomila Lavi Tea não deve consumir o produto. A recomendação é interromper o uso imediatamente e buscar orientações junto aos canais de atendimento da empresa ou aos órgãos de vigilância sanitária locais.
A Anvisa reforça que denúncias de irregularidades podem ser feitas pelos canais oficiais, contribuindo para a identificação rápida de problemas e para a proteção da saúde coletiva.
Um alerta para a segurança dos alimentos
O episódio envolvendo o chá de camomila da Água da Serra evidencia a importância da atuação integrada entre indústria, órgãos reguladores e consumidores. Controles internos eficientes, fiscalização ativa e transparência são fundamentais para garantir que alimentos cheguem ao mercado dentro dos padrões sanitários exigidos.
Casos como este costumam gerar impactos diretos no setor, levando empresas a revisar processos, intensificar auditorias e reforçar treinamentos — medidas essenciais para evitar novos episódios e preservar a confiança do consumidor.
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