• Ataque dos EUA à Venezuela divide a política brasileira entre repúdio e apoio declarado

    Reações ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela dividiram a classe política brasileira entre críticas à intervenção e apoio à ofensiva.
    Reações ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela dividiram a classe política brasileira entre críticas à intervenção e apoio à ofensiva.

    A ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela provocou forte reação no cenário político brasileiro e escancarou a polarização ideológica que marca o debate nacional. Desde as primeiras horas desta manhã, lideranças da esquerda e da direita passaram a se manifestar nas redes sociais, alternando entre duras críticas à ação norte-americana e elogios ao que classificam como uma iniciativa de libertação do povo venezuelano.

    As manifestações ocorrem após a divulgação de informações sobre uma operação dos Estados Unidos em território venezuelano, que teria como alvo o governo de Nicolás Maduro. O episódio gerou repercussão imediata no Brasil, país historicamente envolvido nos debates diplomáticos e políticos da América do Sul.

    Esquerda condena ofensiva e fala em violação da soberania

    Entre políticos alinhados ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o tom predominante é de repúdio. Parlamentares e lideranças da esquerda classificam a ofensiva como uma agressão direta à soberania venezuelana e ao direito internacional.

    O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), afirmou que a ação representa um “retrocesso histórico” para a América Latina. Em publicação nas redes sociais, ele destacou que, embora haja críticas ao regime de Maduro, a intervenção estrangeira não pode ser naturalizada.

    “Que Maduro não deveria nem poderia mais permanecer como ditador não há dúvida. A questão é se os fins justificam os meios e se somos, na América Latina, meras colônias como quando os primeiros europeus chegaram por aqui”, escreveu.

    Parlamentares do Partido dos Trabalhadores também se posicionaram de forma contundente. A deputada Maria do Rosário afirmou que a ofensiva “viola o direito internacional e a soberania de um país sul-americano”. Para ela, a escalada da tensão promovida pelo governo norte-americano teria como pano de fundo interesses geopolíticos e econômicos, incluindo o controle regional e energético.

    O deputado Rui Falcão classificou a ação como um ataque que “agride toda a América Latina”, enquanto o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, afirmou que o partido “repudia com veemência” qualquer intervenção armada.

    Segundo Lindbergh, “o respeito à independência, à autodeterminação dos povos e à não-intervenção são princípios básicos da soberania entre as nações”.

    Direita vê ofensiva como chance de libertação

    No campo oposto, políticos ligados à direita brasileira adotaram discurso de apoio à ação dos Estados Unidos, tratando a ofensiva como um passo necessário para o fim do regime chavista na Venezuela.

    O ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que o governo venezuelano seria um dos pilares do Foro de São Paulo, organização que reúne partidos de esquerda da América Latina. Em publicação nas redes sociais, ele declarou que a eventual neutralização de Maduro teria impacto direto sobre lideranças progressistas da região.

    “Com Maduro fora de cena, agora Lula, Petro e os demais do Foro de São Paulo terão dias terríveis. Viva a liberdade”, escreveu.

    O deputado Nikolas Ferreira também se manifestou, destacando a necessidade de mudança no cenário político venezuelano. Ele compartilhou uma imagem de Oscar Pérez, símbolo da resistência ao regime chavista, e desejou que o país “colha liberdade, justiça e um novo começo”.

    Já o deputado federal e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello afirmou que “nenhuma tirania dura para sempre”, reforçando o discurso de que a ofensiva representa uma oportunidade histórica de ruptura com o atual modelo de poder na Venezuela.

    Polarização reflete disputa ideológica regional

    Especialistas avaliam que as reações no Brasil vão além do episódio específico e refletem uma disputa ideológica mais ampla sobre o papel dos Estados Unidos na América Latina, a legitimidade de intervenções estrangeiras e os limites da soberania nacional.

    Enquanto a esquerda brasileira sustenta que mudanças políticas devem ocorrer por vias diplomáticas e internas, a direita defende que regimes autoritários não podem se perpetuar sob o argumento da autodeterminação, especialmente quando há denúncias recorrentes de violações de direitos humanos.

    Tema deve seguir no centro do debate político

    A ofensiva norte-americana e suas consequências ainda estão em desenvolvimento, e o tema deve continuar no centro do debate político brasileiro nos próximos dias. A depender dos desdobramentos internacionais, o episódio pode influenciar discursos diplomáticos, posicionamentos do governo federal e até o debate eleitoral interno.

    Por ora, o ataque à Venezuela expôs, mais uma vez, como questões internacionais são rapidamente absorvidas pela polarização política brasileira, transformando conflitos externos em extensões do embate ideológico doméstico.

    Deixe uma resposta