
O ataque militar realizado pelos Estados Unidos em território venezuelano, na madrugada deste sábado (3), provocou uma reação imediata da comunidade internacional e reacendeu tensões diplomáticas em diferentes regiões do mundo. A operação, confirmada pelo governo norte-americano, resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, segundo informações divulgadas oficialmente, e marcou um dos episódios mais graves da geopolítica latino-americana nos últimos anos.
Relatos de explosões, intensa movimentação aérea e fumaça em Caracas e em outras cidades da Venezuela começaram a circular ainda durante a madrugada. Poucas horas depois, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a retirada de Maduro do território venezuelano em publicação na rede social Truth Social, o que deu início a uma onda de manifestações de governos aliados e críticos da ação.
Colômbia pede desescalada e alerta para risco regional
Um dos primeiros países a se posicionar foi a Colômbia, que faz fronteira direta com a Venezuela e acompanha de perto os impactos do conflito. O presidente Gustavo Petro manifestou “profunda preocupação” com os relatos de explosões e atividades aéreas incomuns no país vizinho.
Em publicação nas redes sociais, Petro afirmou que o governo colombiano observa com atenção a escalada da tensão e defendeu uma resposta baseada na diplomacia. Segundo ele, a prioridade deve ser a preservação da paz regional.
“O país adota uma posição focada na preservação da paz regional e apela urgentemente à desescalada, instando todas as partes envolvidas a se absterem de ações que aprofundem o confronto e a priorizarem o diálogo e os canais diplomáticos”, escreveu o presidente colombiano.
A preocupação da Colômbia se dá, sobretudo, pelo risco de instabilidade nas regiões de fronteira, que já enfrentam desafios relacionados à migração, segurança e crises humanitárias.
Cuba fala em ‘ataque criminoso’ e cobra reação internacional
Aliado histórico do governo venezuelano, Cuba reagiu com dureza à ação militar dos Estados Unidos. O presidente Miguel Díaz-Canel classificou a ofensiva como um “ataque criminoso” e exigiu uma resposta imediata da comunidade internacional.
Díaz-Canel afirmou que a operação representa uma ameaça direta à estabilidade da América Latina e utilizou o conceito de “Zona de Paz” para reforçar sua crítica.
“Nossa Zona de Paz está sendo brutalmente atacada. Terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano e contra a nossa América”, publicou.
O governo cubano acusa os Estados Unidos de violar princípios básicos do direito internacional e de adotar práticas que, segundo Havana, historicamente desestabilizam a região.
Europa reage com cautela e apela ao direito internacional
Na Europa, a reação foi mais cautelosa, mas igualmente crítica. A Espanha pediu respeito ao direito internacional e defendeu a necessidade de desescalada do conflito. Autoridades espanholas afirmaram que acompanham de perto os desdobramentos e reforçaram orientações de segurança para cidadãos espanhóis que vivem ou estão na Venezuela.
Outros países europeus também monitoram a situação com atenção, preocupados com possíveis impactos humanitários e diplomáticos. O temor é de que a operação abra um precedente perigoso para intervenções armadas unilaterais em conflitos internos.
A avaliação predominante no continente europeu é de que, mesmo diante das críticas ao governo Maduro, mudanças políticas devem ocorrer por meio de negociações, pressão diplomática e mecanismos multilaterais, e não por ações militares diretas.
Argentina celebra e adota tom oposto
Na contramão das críticas, a Argentina adotou um discurso de apoio explícito à ação norte-americana. O presidente Javier Milei comemorou a captura de Nicolás Maduro em uma publicação curta, porém contundente, nas redes sociais.
“A liberdade avança. Viva a liberdade”, escreveu Milei, em mensagem que rapidamente ganhou repercussão internacional.
A declaração reforça o alinhamento ideológico do governo argentino com pautas liberais e com a política externa dos Estados Unidos, além de evidenciar a profunda divisão política na América do Sul sobre a crise venezuelana.
Anúncio de Trump ampliou impacto global
O anúncio da retirada de Maduro do território venezuelano foi feito diretamente por Donald Trump em sua rede social, o que ampliou ainda mais o impacto do episódio. A comunicação direta do presidente norte-americano, sem intermediação diplomática prévia, gerou críticas de especialistas em relações internacionais.
Analistas apontam que a forma como a informação foi divulgada contribuiu para aumentar a instabilidade política e a incerteza institucional na Venezuela, além de acelerar reações precipitadas de governos ao redor do mundo.
Crise venezuelana entra em novo patamar
A captura do presidente venezuelano representa um ponto de inflexão na crise política do país, que já se arrasta há anos. Internamente, autoridades venezuelanas decretaram medidas emergenciais, enquanto a população acompanha com apreensão os desdobramentos.
No cenário internacional, o episódio deve provocar debates intensos em organismos multilaterais, como a ONU e a OEA, além de influenciar diretamente as relações diplomáticas entre países da América Latina, Europa e Estados Unidos.
O ataque dos EUA à Venezuela não apenas redefiniu o equilíbrio político interno do país, como também expôs, de forma clara, as divergências profundas sobre soberania, intervenção militar e democracia no cenário global.
Compartilhe isso:
- Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
- Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
- Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
- Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir
- Clique para compartilhar no X(abre em nova janela) 18+

