• Tecnologia amplia buscas por crianças desaparecidas em Bacabal há 11 dias

    Equipes usam tecnologia e mapeamento digital nas buscas por crianças desaparecidas em Bacabal.
    Equipes usam tecnologia e mapeamento digital nas buscas por crianças desaparecidas em Bacabal.

    As buscas pelas crianças Ágata Isabelle, de 5 anos, e Allan Michael, de 4, entram no 11º dia consecutivo nesta quarta-feira (14), em Bacabal, no Maranhão, com uso intensivo de tecnologia, mapeamento digital e força humana ampliada. A operação se concentra principalmente nos arredores do Quilombo São Sebastião dos Pretos, área onde as crianças desapareceram após saírem para brincar, no dia 4 de janeiro.

    Mesmo após dias de trabalho ininterrupto, nenhuma pista conclusiva foi encontrada até o momento. A dimensão da área, aliada às condições climáticas e à vegetação fechada, tem exigido estratégias cada vez mais complexas por parte das forças de segurança.

    Área das buscas equivale a cerca de 400 campos de futebol

    Segundo o major do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), responsável por parte da coordenação da operação, a área delimitada para as buscas corresponde a aproximadamente 400 campos de futebol. Trata-se de uma região extensa, marcada por mata densa, áreas alagadas, trilhas pouco acessíveis, rios, lagos e armadilhas deixadas por caçadores.

    Para dar conta dessa dimensão, a operação passou a utilizar recursos tecnológicos avançados, integrados ao trabalho de campo.

    Aplicativo de geolocalização mapeia cada passo das equipes

    Uma das principais ferramentas adotadas é um aplicativo de geolocalização, instalado nos celulares dos agentes que atuam diretamente nas buscas. O sistema registra automaticamente todos os trajetos percorridos, permitindo que os coordenadores acompanhem, em tempo real, quais áreas já foram vasculhadas e quais ainda precisam ser exploradas.

    A região foi dividida em 45 quadrantes, e cada equipe ficou responsável por um setor específico. Enquanto alguns agentes percorrem trilhas principais e margens de rios, outros avançam por áreas de mata fechada, enfrentando vegetação densa, espinhos e terrenos instáveis.

    De acordo com os bombeiros, grande parte da área já foi analisada, com apoio fundamental de voluntários da própria comunidade, que conhecem atalhos, trilhas antigas e caminhos pouco visíveis.

    Dor, angústia e espera: mãe fala pela primeira vez

    Pela primeira vez desde o desaparecimento, a mãe das crianças, Clarice Cardoso, falou publicamente sobre o drama vivido pela família. Em um relato emocionado, ela descreveu a angústia diária de esperar por notícias que possam levar ao reencontro com os filhos.

    “Eu só espero que encontrem meus filhos. Se alguém pegou, quero saber quem foi e por quê. É isso que passa na minha cabeça o tempo todo”, desabafou.

    Questionada sobre a possibilidade de as crianças estarem na mata, Clarice afirmou que já não sabe no que acreditar. Segundo ela, diversas áreas da zona rural foram vasculhadas, sem qualquer vestígio.

    “Já procuraram em tudo quanto é canto e não encontraram nada. Eu não sei mais o que pensar”, disse.

    O impacto emocional tem sido devastador. Clarice contou que enfrenta dificuldades para dormir e se alimentar, recorrendo a medicação para conseguir descansar.

    “Tem sido muito difícil. Precisei tomar remédio para dormir, não conseguia comer. É uma dor que não desejo para ninguém”, afirmou, emocionada.

    A avó das crianças, Francisca Cardoso, também relatou o sofrimento da família, especialmente no fim da tarde, quando a esperança se mistura ao medo diante da falta de respostas.

    Força-tarefa reúne mais de 600 pessoas

    A operação de buscas ganhou reforço ao longo dos últimos dias e atualmente mobiliza mais de 600 pessoas, entre agentes de segurança e voluntários.

    A força-tarefa é coordenada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) e envolve:

    • Polícia Civil
    • Polícia Militar
    • Corpo de Bombeiros Militar
    • Força Estadual de Segurança
    • Centro Tático Aéreo (CTA)
    • Setor de Inteligência
    • Perícia Oficial
    • Guarda Municipal e Defesa Civil de Bacabal
    • Batalhão de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro

    Os trabalhos ocorrem 24 horas por dia, com buscas terrestres, aéreas e aquáticas.

    Drones térmicos e helicópteros no apoio noturno

    Durante as buscas noturnas, as equipes utilizam drones equipados com câmeras térmicas, capazes de identificar variações de temperatura e possíveis sinais de vida em meio à mata fechada.

    Helicópteros do CTA transportam equipes especializadas para pontos de difícil acesso. Ainda assim, segundo o comandante da PM-MA, coronel Wallace Amorim, a região impõe enormes desafios.

    “É uma mata fechada. Do helicóptero, lá de cima, não tem como visualizar. É um ambiente inóspito. A gente encontrou muitas armadilhas”, afirmou.

    Criança encontrada segue internada e será ouvida com escuta protegida

    Três dias após o desaparecimento, Anderson Kauã, de 8 anos, que também estava com os irmãos no dia do sumiço, foi encontrado por produtores rurais. Ele estava nu, desorientado e debilitado e segue internado no Hospital Geral de Bacabal, recebendo acompanhamento médico e psicológico.

    O governador do Maranhão, Carlos Brandão, informou nesta terça-feira (13) que exames descartaram a ocorrência de violência sexual contra o menino.

    Por se tratar de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Anderson só será ouvido por profissionais especializados, conforme determina a Lei da Escuta Protegida (Lei nº 13.431/2017). Quatro peritos do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA) já estão no município para acompanhar o caso.

    A expectativa das autoridades é que, no momento adequado, a escuta especializada possa ajudar a esclarecer o que aconteceu e apontar possíveis pistas sobre o paradeiro de Ágata e Allan.

    Linhas de investigação seguem abertas

    Segundo o delegado-adjunto de Apoio Operacional, Éderson Martins, a principal linha de investigação continua sendo o desaparecimento das crianças, mas outras hipóteses não foram descartadas e seguem sendo analisadas pela Polícia Civil.

    As buscas continuam sem previsão de encerramento.

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