
A morte violenta de um cachorro comunitário conhecido como Orelha, de aproximadamente 10 anos, provocou revolta, comoção e mobilização social na Praia Brava, em Florianópolis. O animal foi brutalmente agredido e não resistiu aos ferimentos, levando a Polícia Civil a abrir uma investigação que envolve adolescentes e adultos suspeitos de participação direta e de tentativa de intimidação de testemunhas.
Na manhã desta segunda-feira (26), a Polícia Civil cumpriu três mandados de busca e apreensão como parte da apuração do crime. As diligências ocorreram em residências de adolescentes identificados como suspeitos das agressões e também de seus responsáveis legais. Segundo as autoridades, ao menos quatro adolescentes teriam participado do ataque que resultou na morte do animal.
Além disso, mandados também foram executados em endereços ligados a adultos investigados por possível coação de testemunhas, numa tentativa de interferir nas investigações. Durante a operação, celulares e dispositivos eletrônicos foram apreendidos e serão submetidos à perícia.
Investigação aponta agressões e tentativa de intimidação
De acordo com informações da Polícia Civil, a linha investigativa indica que quatro adolescentes praticaram diretamente as agressões contra o cachorro, enquanto três adultos são suspeitos de ameaçar testemunhas do caso. Um dos mandados tinha como objetivo localizar uma arma que teria sido usada para intimidar uma pessoa que colaborava com as investigações. A arma não foi encontrada, mas houve apreensão de entorpecentes no local.
O delegado responsável pelo caso, Ulisses Gabriel, informou ainda que dois dos adolescentes identificados estão nos Estados Unidos, em viagem previamente programada, e devem retornar ao Brasil na próxima semana para prestar esclarecimentos.
O desaparecimento e o resgate tardio
Moradores relataram que Orelha estava desaparecido há alguns dias quando foi encontrado por uma das pessoas que costumavam cuidar do animal. Ele foi localizado caído, em estado gravíssimo, durante uma caminhada pela região da Praia Brava.
O cachorro foi imediatamente levado a uma clínica veterinária. No entanto, devido à extrema gravidade dos ferimentos, os profissionais decidiram pela eutanásia, como forma de evitar sofrimento prolongado.
Um símbolo da convivência comunitária
Orelha não era apenas mais um cachorro de rua. Ele fazia parte do grupo de cães comunitários da Praia Brava, um projeto informal mantido por moradores, que instalaram casinhas e garantiam alimentação, cuidados básicos e acompanhamento veterinário aos animais.
Descrito como dócil e sociável, Orelha convivia diariamente com moradores, comerciantes e outros cães da região. Para a comunidade, ele se tornou um símbolo da relação de cuidado coletivo com os animais, construída ao longo de anos.
Em nota, a Associação de Moradores da Praia Brava destacou que o cachorro fazia parte do cotidiano do bairro e representava um exemplo de convivência harmoniosa entre pessoas e animais.
Protestos, mobilização e pedido de justiça
A morte do cão gerou uma forte reação popular. Protetores independentes, ONGs, moradores e instituições ligadas à causa animal iniciaram uma mobilização cobrando justiça e responsabilização dos envolvidos.
No último sábado (24), dezenas de pessoas participaram de um protesto na Praia Brava. Vestindo camisetas e segurando cartazes com frases como “Justiça por Orelha”, os manifestantes caminharam pela região acompanhados de seus cães, em um ato simbólico de homenagem e indignação.
A repercussão também se espalhou pelas redes sociais e ganhou apoio de personalidades públicas, como as atrizes Heloísa Périssé e Paula Burlamaqui, que publicaram vídeos cobrando providências das autoridades e punição exemplar aos responsáveis.
O caso segue em investigação e reacende o debate sobre maus-tratos a animais, responsabilidade penal e proteção aos cães comunitários, cada vez mais presentes nas cidades brasileiras.
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