
A confirmação da captura de Nicolás Maduro durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos em território venezuelano provocou forte repercussão internacional e acentuou divisões geopolíticas neste sábado (3). Governos aliados de Caracas condenaram duramente a ofensiva, enquanto países europeus adotaram tom cauteloso e lideranças alinhadas a Washington celebraram o que classificam como um marco contra regimes autoritários.
A ação foi oficialmente confirmada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que a operação teve como objetivo neutralizar o comando do regime venezuelano. Segundo Trump, Maduro e sua esposa foram retirados do território do país, informação que ampliou ainda mais a tensão diplomática em diversas regiões do mundo.
Rússia e Cuba condenam ofensiva e falam em agressão
Entre as reações mais duras está a da Rússia, tradicional aliada do governo venezuelano. Moscou classificou a operação como um “ato de agressão armada” e alertou para o risco de escalada do conflito na América Latina. O governo russo defendeu que qualquer solução para a crise venezuelana deve ocorrer por meio do diálogo e de mecanismos diplomáticos, respeitando a soberania nacional.
Cuba também reagiu com veemência. O presidente Miguel Díaz-Canel descreveu a ação como um ataque “criminoso” e acusou os Estados Unidos de violar o direito internacional. Havana afirmou que a ofensiva representa uma ameaça não apenas à Venezuela, mas à estabilidade regional.
Colômbia e Chile demonstram preocupação
Na América do Sul, a Colômbia adotou um tom mais moderado, mas não menos crítico. O governo colombiano expressou “profunda preocupação” com a operação militar e rejeitou medidas unilaterais que coloquem em risco a população civil. Em nota oficial, Bogotá destacou que a crise venezuelana exige soluções políticas e humanitárias, e não ações armadas externas.
O Chile seguiu linha semelhante. O presidente Gabriel Boric pediu respeito aos princípios básicos do Direito Internacional e afirmou que a situação da Venezuela deve ser resolvida por meio do diálogo e do multilateralismo. Para Boric, intervenções militares tendem a agravar crises humanitárias já existentes.
Europa pede moderação e monitora cidadãos
Na Europa, a reação predominante foi de cautela. A Espanha pediu respeito ao direito internacional e defendeu a desescalada do conflito. O governo espanhol informou que acompanha de perto a situação de seus cidadãos que vivem ou estão em trânsito pela Venezuela.
A Alemanha e a Itália anunciaram a ativação de equipes de crise para monitorar os desdobramentos em Caracas e avaliar possíveis impactos sobre suas comunidades no país. Ambos os governos reforçaram alertas consulares e orientações de segurança.
A União Europeia, por meio de sua chefe de política externa, Kaja Kallas, cobrou moderação de todas as partes envolvidas. Em publicação na rede X, Kallas informou ter conversado com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre os ataques.
“A União Europeia afirmou repetidamente que o senhor Maduro carece de legitimidade e defendeu uma transição pacífica. Em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e a Carta da ONU devem ser respeitados”, escreveu.
Argentina celebra operação dos EUA
Em sentido oposto, a Argentina manifestou apoio explícito à ação militar. O presidente Javier Milei comemorou a captura de Maduro em suas redes sociais. Ao compartilhar a notícia, Milei escreveu a frase “A liberdade avança”, reforçando sua postura crítica a regimes de esquerda na América Latina.
A declaração do líder argentino gerou reações imediatas de setores diplomáticos e políticos, evidenciando o grau de polarização regional em torno do episódio.
Venezuela decreta emergência nacional
Internamente, o governo venezuelano reagiu decretando estado de emergência nacional. Autoridades locais anunciaram a mobilização de planos de defesa e segurança em diferentes regiões do país. A vice-presidente Delcy Rodríguez afirmou que o paradeiro de Nicolás Maduro é desconhecido pelo governo, o que aumentou o clima de incerteza política e institucional.
Como ocorreu a operação
Segundo informações preliminares, a operação militar teve início por volta das 3h (horário de Brasília) deste sábado. Moradores relataram explosões e fumaça em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira por aproximadamente 90 minutos. Imagens circularam nas redes sociais mostrando movimentação intensa e pontos de conflito.
Donald Trump declarou que a ação resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, retirados do território venezuelano, mas não detalhou o local para onde foram levados nem os próximos passos da operação.
Impacto geopolítico e próximos desdobramentos
Analistas internacionais avaliam que a captura de Maduro representa um dos episódios mais graves da história recente da América Latina, com potencial de reconfigurar alianças regionais e intensificar disputas diplomáticas globais. O episódio também reacende o debate sobre os limites da intervenção estrangeira, soberania nacional e legitimidade política.
Nos próximos dias, a expectativa é de que organismos internacionais, como a ONU e a OEA, se posicionem formalmente sobre o caso, enquanto governos seguem avaliando os impactos políticos, econômicos e humanitários da operação.
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