• Crianças desaparecidas em Bacabal: buscas completam um mês sem novas pistas

    Equipes da força-tarefa seguem realizando buscas em áreas de mata e no rio Mearim, em Bacabal, após um mês do desaparecimento das crianças.
    Equipes da força-tarefa seguem realizando buscas em áreas de mata e no rio Mearim, em Bacabal, após um mês do desaparecimento das crianças.

    As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completam um mês nesta quarta-feira (4) sem que novas pistas indiquem o paradeiro das crianças. O desaparecimento ocorreu em 4 de janeiro, no Quilombo São Sebastião dos Pretos, zona rural de Bacabal, município localizado a cerca de 240 quilômetros de São Luís.

    Desde então, uma força-tarefa composta por órgãos estaduais e federais atua de forma contínua na tentativa de localizar os irmãos. Apesar do esforço concentrado e do uso de tecnologia avançada, a investigação ainda não chegou a uma conclusão, segundo a Polícia Civil do Maranhão.

    Investigação entra em nova fase, afirma Polícia Civil

    De acordo com o delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Ederson Martins, o inquérito já ultrapassa 200 páginas, reúne dezenas de depoimentos e segue em fase ativa.

    “Já temos 30 dias de investigação, uma investigação bem robusta, com muitas páginas e dezenas de pessoas ouvidas”, afirmou o delegado, que integra a força-tarefa.

    Atualmente, as ações estão concentradas em diligências técnicas, análise de informações colhidas ao longo das buscas e na checagem de novos dados que possam surgir a partir dos relatos já registrados.

    Força-tarefa segue em campo com bombeiros, Exército e cães farejadores

    Mesmo após um mês, as buscas não foram encerradas. Equipes do Corpo de Bombeiros e do Exército Brasileiro continuam realizando varreduras em áreas de mata fechada, pontos alagados e margens do rio Mearim, com apoio de cães farejadores.

    A base da operação segue instalada no quilombo onde as crianças moravam, permitindo rápida mobilização caso surjam novos indícios que justifiquem a retomada de ações mais intensas.

    Diligências já realizadas pela Polícia Civil

    Uma comissão especial da Polícia Civil, formada por dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal, coordena o inquérito. Entre as principais ações já executadas estão:

    • Reconstrução do trajeto do carroceiro que encontrou o primo das crianças;
    • Reconstituição do último local onde os três menores estiveram juntos;
    • Participação do primo nas diligências, com autorização judicial;
    • Solicitação de relatórios técnicos de todas as forças envolvidas nas buscas.

    Todos os documentos produzidos por equipes com cães farejadores, embarcações e unidades especializadas serão anexados ao inquérito como provas materiais.

    O dia do desaparecimento

    Ágatha e Allan desapareceram no dia 4 de janeiro, quando estavam acompanhados do primo Anderson Kauan, de 8 anos. O menino foi encontrado três dias depois, por carroceiros, no povoado Santa Rosa, a quilômetros do local onde as crianças foram vistas pela última vez.

    O relato do garoto foi considerado fundamental para a reconstrução do trajeto percorrido pelo grupo.

    Relato do primo ajudou a traçar rota na mata

    Após receber autorização judicial, o menino participou das diligências e contou que os três entraram na mata por um caminho alternativo, para evitar serem vistos por um tio.

    Segundo o relato:

    • Eles procuravam um pé de maracujá próximo à casa do pai do menino;
    • Optaram por outro acesso à mata;
    • Não encontraram frutas para se alimentar;
    • Não havia adultos acompanhando o trajeto.

    O garoto ficou três dias perdido na mata até ser localizado com vida.

    A “casa caída” e a separação das crianças

    Uma das pistas mais relevantes foi a descrição de uma casa abandonada, chamada pelo menino de “casa caída”, onde havia objetos velhos. Cães farejadores confirmaram a presença do cheiro das três crianças no local.

    O relato indica que:

    • Eles se abrigaram próximos a uma árvore;
    • Estavam extremamente cansados;
    • O menino seguiu por um lado da choupana, enquanto os primos seguiram por outro;
    • A distância até o ponto pode chegar a 12 quilômetros, considerando obstáculos naturais.

    Uso de tecnologia avançada nas buscas

    Durante as operações, foram empregados:

    • Cães farejadores
    • Drones com câmeras termais
    • Mergulhadores
    • Botes e lanchas
    • Aeronaves do Centro Tático Aéreo (CTA)
    • Sonar side scan da Marinha, usado para varredura subaquática no rio Mearim

    A Marinha do Brasil percorreu 19 quilômetros do rio, sendo cinco deles com varredura minuciosa.

    Mais de mil pessoas mobilizadas

    As buscas mobilizaram mais de mil pessoas, incluindo:

    • Polícia Civil
    • Polícia Militar e Batalhão de Choque
    • Força Estadual Integrada de Segurança Pública
    • Centro Tático Aéreo (CTA)
    • Exército Brasileiro
    • Corpo de Bombeiros
    • Voluntários da região

    Nos primeiros 20 dias, as equipes percorreram mais de 200 quilômetros em operações terrestres e aquáticas.

    Polícia desmente boatos e reforça linha principal

    O delegado Ederson Martins voltou a desmentir boatos que circularam nas redes sociais, especialmente acusações envolvendo a mãe e o padrasto das crianças.

    “Essa informação não procede. Com tanta informação falsa, estão colocando a família das crianças em constante risco”, afirmou.

    Segundo a Polícia Civil, a principal linha de investigação segue sendo a de que as crianças se perderam na mata, embora nenhuma hipótese seja oficialmente descartada.

    Amber Alert foi acionado

    O Ministério da Justiça acionou o protocolo Amber Alert, sistema internacional utilizado em casos de desaparecimento infantil com risco iminente de morte ou lesão grave.

    O alerta foi divulgado em plataformas da Meta, como Facebook e Instagram, em um raio de até 200 quilômetros.

    Crianças vistas em São Paulo não eram os irmãos

    A Polícia Civil de São Paulo descartou que duas crianças encontradas em um hotel no Centro da capital paulista fossem Ágatha e Allan. Após checagem, confirmou-se que não se tratava dos irmãos desaparecidos.

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