
O povoado São Sebastião dos Prestos, na zona rural de Bacabal, vive dias de profunda comoção. Às vésperas do retorno das aulas, o sentimento que predomina entre moradores, professores e alunos está longe de ser o habitual entusiasmo do início do ano letivo. O desaparecimento das crianças Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, transformou completamente a rotina da comunidade, que agora tenta seguir em frente sem perder a esperança.
Desde o dia 4 de janeiro, quando os irmãos desapareceram, o povoado passou a conviver com incertezas, medo e uma mobilização constante em busca de respostas. O retorno das atividades escolares, tradicionalmente marcado por reencontros e planos para o futuro, será inevitavelmente diferente este ano.
Escola vira ponto de apoio emocional e logístico
A única escola do povoado deixou de ser apenas um espaço de ensino. O local passou a funcionar como base de apoio para equipes de buscas e também como ponto de acolhimento para moradores que apresentam sintomas de ansiedade, medo e sofrimento emocional.
Professores e gestores escolares relatam que a comunidade está abalada, mas unida. Muitos moradores se conhecem desde a infância, compartilham laços familiares e histórias em comum, o que torna o impacto do desaparecimento ainda mais profundo.
Segundo a direção da escola, o planejamento pedagógico precisou ser adaptado. O retorno às aulas será conduzido com cautela, priorizando o acolhimento emocional das crianças e o diálogo constante com as famílias.
“Somos como uma família”, diz diretora da escola
A diretora da escola, Mary Jane Frazão, resume o sentimento coletivo ao afirmar que o sofrimento é compartilhado por todos.
Para ela, o caso não afeta apenas os familiares diretos, mas toda a comunidade. O desaparecimento das crianças interrompeu a sensação de segurança do povoado e deixou marcas emocionais difíceis de serem superadas.
A expectativa é de que a escola exerça um papel fundamental nesse momento, ajudando alunos e pais a lidar com o trauma enquanto as investigações continuam.
Desaparecimento mobiliza comunidade desde janeiro
Ágatha Isabelly e Allan Michael desapareceram no início de janeiro, desencadeando uma das maiores mobilizações recentes da região. Desde então, buscas foram realizadas por terra, água e ar, envolvendo diferentes forças de segurança e voluntários.
O caso ganhou repercussão estadual e passou a ser acompanhado com atenção pela sociedade, que cobra respostas e mantém viva a esperança de um desfecho positivo.
Encontro do primo renovou esperança na comunidade
Quatro dias após o desaparecimento dos irmãos, o primo das crianças, Anderson Kauã, de oito anos, foi encontrado com vida. O resgate do garoto trouxe alívio momentâneo e renovou a esperança de que Ágatha e Allan também possam ser localizados.
Após passar 14 dias internado, Anderson recebeu alta hospitalar e prestou informações importantes às autoridades. Ele indicou o trajeto que percorreu com os primos até uma cabana abandonada próxima às margens do Rio Mearim.
As informações contribuíram para orientar parte das buscas, embora, até o momento, não tenham levado ao paradeiro das crianças.
Força-tarefa mobilizou polícia, Exército e Marinha
Desde o início das buscas, uma grande força-tarefa foi montada para tentar localizar Ágatha e Allan. A operação contou com o trabalho da Polícia Civil do Maranhão, apoio da Polícia Militar do Maranhão, além de reforço do Exército e da Marinha.
Cães farejadores, drones e equipamentos tecnológicos foram utilizados para ampliar o alcance das buscas, tanto em áreas de mata quanto nas proximidades de rios e regiões alagadas.
Redução das buscas não significa encerramento do caso
Após semanas de varreduras intensas, o número de agentes diretamente envolvidos nas buscas foi reduzido. As autoridades explicam que essa decisão faz parte de uma reorganização estratégica dos trabalhos.
Paralelamente, a investigação policial foi intensificada, com foco na análise de novas informações, depoimentos e possíveis linhas de apuração que possam levar a avanços concretos no caso.
As forças de segurança reforçam que o desaparecimento das crianças segue como prioridade e que nenhuma hipótese é descartada.
Polícia desmente boatos sobre venda das crianças
Com a repercussão do caso, surgiram boatos nas redes sociais sugerindo que as crianças teriam sido vendidas por familiares. A informação foi oficialmente desmentida pela Polícia Civil.
O delegado-geral adjunto operacional, Éderson Martins, afirmou que não há qualquer indício de venda das crianças e alertou para os riscos da disseminação de notícias falsas.
Segundo ele, boatos desse tipo colocam a família em situação de vulnerabilidade e atrapalham diretamente o andamento das investigações.
Família não é alvo de investigação, afirma delegado
De acordo com a Polícia Civil, a mãe e o padrasto de Ágatha e Allan não são considerados suspeitos neste momento. Todas as pessoas ouvidas até agora foram chamadas na condição de testemunhas.
As autoridades reforçam que informações falsas não apenas aumentam o sofrimento da família, como também podem comprometer a coleta de dados relevantes para o esclarecimento do caso.
Suposta localização em São Paulo é descartada
Outra informação que circulou recentemente nas redes sociais apontava que as crianças teriam sido vistas em um hotel no Centro de São Paulo. A hipótese foi rapidamente investigada e descartada pela Polícia Civil paulista.
Em nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que equipes estiveram nos locais indicados e constataram que as crianças encontradas não eram Ágatha Isabelly e Allan Michael.
Secretaria de Segurança pede responsabilidade na divulgação de informações
O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, também se pronunciou sobre o caso. Ele reforçou que todas as pessoas ouvidas até o momento são testemunhas e alertou para os prejuízos causados pela divulgação de informações não confirmadas.
Segundo o secretário, a Polícia Civil segue conduzindo as investigações com rigor técnico e discrição, evitando divulgar detalhes que possam comprometer o trabalho policial.
Comunidade tenta seguir, mas esperança permanece viva
Mesmo diante da dor, o povoado São Sebastião dos Prestos tenta seguir em frente. A proximidade do retorno das aulas representa um desafio emocional, mas também uma tentativa de resgatar, aos poucos, a normalidade da vida comunitária.
A esperança de encontrar Ágatha e Allan permanece viva entre moradores, professores e familiares. O caso segue mobilizando autoridades e reforça a importância do cuidado, da empatia e da responsabilidade na disseminação de informações.
Enquanto as investigações continuam, a comunidade aguarda respostas — e, acima de tudo, um desfecho que traga alívio e justiça.
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