
O Conselho Regional de Medicina do Maranhão (CRM-MA) se pronunciou, nesta quinta-feira (22), sobre os resultados insatisfatórios de alguns cursos de medicina no estado, após a divulgação das notas do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). O órgão demonstrou grande preocupação com a qualidade da formação médica, destacando que algumas instituições receberam notas abaixo do esperado, o que, segundo o CRM, evidencia uma fragilidade na educação médica.
Avaliação negativa de cursos de medicina
O Ministério da Educação (MEC) divulgou na última semana os resultados do Enamed 2025, um exame que avalia a formação dos alunos de medicina em todo o Brasil. Quatro instituições do Maranhão receberam a classificação 2, considerada negativa. Entre elas estão a AFYA Faculdade de Ciências Médicas de Santa Inês, Universidade Ceuma (Uniceuma), com campi em São Luís e Imperatriz, e a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em Pinheiro.
Esses resultados refletem uma fragilidade estrutural na formação dos futuros médicos, apontada pelo CRM-MA como um problema crescente, não apenas no Maranhão, mas em todo o Brasil. O órgão afirmou que a formação médica inadequada impacta diretamente na segurança do paciente e na qualidade do atendimento à população.
Desafios na abertura de cursos de medicina
O CRM-MA também fez um alerta sobre a abertura indiscriminada de escolas médicas nos últimos anos. O Conselho criticou o MEC por permitir a expansão de instituições sem os critérios rigorosos necessários para garantir uma formação de qualidade. De acordo com a nota do CRM-MA, muitas universidades tratam o curso de medicina como produto e fonte de lucro, sem o devido compromisso com a qualidade do ensino e com infraestruturas adequadas.
O órgão também apontou que o problema vem sendo exacerbado pela ingerência política e pelo avanço de grandes conglomerados educacionais no setor, comprometendo o padrão exigido para a formação dos futuros médicos.
Exame Nacional de Proficiência em Medicina
Diante da situação, o CRM-MA defendeu a implementação urgente do Exame Nacional de Proficiência em Medicina, sob a coordenação do Conselho Federal de Medicina. Para o Conselho, este exame seria uma medida indispensável para assegurar que todos os médicos formados no país possuam o conhecimento necessário para garantir a segurança e a saúde da população.
“O CRM-MA defende rigor na abertura de cursos e a implantação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina como medida de proteção à sociedade. Seguiremos firmes em defesa da boa medicina e da vida”, afirmou o órgão em nota.
Impacto na sociedade e no sistema de saúde
Com mais de 13 mil estudantes se formando em cursos que não atendem ao padrão mínimo exigido, o CRM-MA alerta para os riscos que essa formação frágil pode representar para a saúde pública. Para o Conselho, é urgente que as autoridades responsáveis tomem as medidas necessárias para garantir a qualidade na formação dos profissionais de saúde e proteger a sociedade de eventuais prejuízos causados por médicos mal preparados.
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