• Operação Tântalo II: depoimentos dos investigados em Turilândia começam na próxima segunda-feira

    Depoimentos da Operação Tântalo II começam nesta segunda-feira e marcam nova fase das investigações sobre corrupção em Turilândia.
    Depoimentos da Operação Tântalo II começam nesta segunda-feira e marcam nova fase das investigações sobre corrupção em Turilândia.

    O avanço das investigações sobre o esquema de corrupção que abalou o município de Turilândia entra em uma nova fase a partir da próxima segunda-feira (5 de janeiro). O Ministério Público do Maranhão inicia, nesta data, a oitiva dos investigados no âmbito da Operação Tântalo II, que apura a existência de uma organização criminosa estruturada dentro da Prefeitura e da Câmara Municipal do município.

    Os depoimentos estão programados para ocorrer entre os dias 5 e 8 de janeiro de 2026, conforme cronograma definido pelo MPMA. As oitivas representam uma etapa central da investigação e devem contribuir para esclarecer a dinâmica do esquema, identificar responsabilidades individuais e fortalecer o conjunto probatório do inquérito.

    Adiamento ocorreu a pedido das defesas

    Inicialmente, os depoimentos estavam previstos para começar no dia 29 de dezembro, mas foram remarcados após solicitação apresentada pelas defesas da maioria dos investigados. Os advogados alegaram não ter tido acesso integral aos autos e às informações da investigação durante o período de recesso, o que poderia comprometer o direito à ampla defesa.

    O Ministério Público acatou o pedido e redefiniu o calendário, mantendo o compromisso de garantir o devido processo legal, sem prejuízo ao andamento das apurações. Com o recesso próximo do fim, o MP avalia que agora há condições técnicas e jurídicas para a realização das oitivas.

    Investigação apura esquema milionário em contratos públicos

    A Operação Tântalo II, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, identificou indícios de um esquema milionário de corrupção envolvendo contratos públicos, com foco principal na contratação de fornecimento de combustíveis e outros serviços essenciais à administração municipal.

    Segundo as investigações, o esquema teria sido estruturado para desviar recursos públicos por meio de empresas contratadas de forma irregular, com participação de agentes políticos, servidores e intermediários. O prejuízo aos cofres públicos ainda está sendo apurado, mas pode alcançar cifras elevadas.

    Afastamentos e prisões marcaram a operação

    A decisão judicial que autorizou a deflagração da operação determinou o afastamento imediato do prefeito Paulo Curió e da vice-prefeita Tânya Mendes, diante da gravidade das acusações e do risco de interferência nas investigações.

    Além dos afastamentos, foram decretadas prisões e medidas cautelares contra outros investigados. Estão presos a primeira-dama Eva Curió, a ex-vice-prefeita Janaina Soares Lima, o marido dela, Marlon Serrão, e o contador da prefeitura, Wandson Barros. As medidas visam preservar a instrução processual e impedir a destruição de provas ou a continuidade das irregularidades.

    Prefeitura funciona em condição atípica

    Com o afastamento do prefeito e da vice-prefeita, o comando da Prefeitura de Turilândia foi assumido interinamente pelo presidente da Câmara Municipal, José Luiz Araújo Diniz, conforme prevê a legislação.

    No entanto, a situação administrativa do município é considerada atípica. José Luiz cumpre prisão domiciliar com monitoramento eletrônico e não foi afastado do cargo de vereador. A administração municipal vem sendo exercida a partir da residência dele, o que reforçou a percepção de instabilidade institucional.

    O presidente da Câmara está autorizado a comparecer ao Legislativo apenas em dias de sessão previamente designados e não pode se ausentar do município sem autorização judicial.

    Pedido de intervenção segue pendente no TJMA

    Paralelamente às oitivas, o Tribunal de Justiça do Maranhão ainda deve analisar o pedido de intervenção em Turilândia protocolado pelo Ministério Público. A solicitação foi autorizada pelo procurador-geral de Justiça, Danilo de Castro Ferreira, após avaliação técnica do cenário institucional do município.

    O pedido foi inicialmente apreciado por um desembargador plantonista, que entendeu não se tratar de matéria urgente durante o recesso do Judiciário. Com isso, o processo foi redistribuído para uma das câmaras do tribunal e só deve ser analisado após a retomada das atividades regulares, prevista para o dia 7 de janeiro.

    MP avança também na esfera cível

    Mesmo sem a análise imediata do pedido de intervenção, o Ministério Público do Maranhão deve intensificar outras frentes de atuação. Entre as medidas previstas estão ações na esfera cível com o objetivo de buscar a perda dos cargos públicos dos gestores afastados e ampliar a responsabilização administrativa dos envolvidos.

    Essas ações podem resultar em sanções como suspensão de direitos políticos, ressarcimento ao erário e proibição de contratar com o poder público, dependendo do desfecho das investigações.

    Descumprimento pode agravar medidas cautelares

    O Judiciário alertou que o descumprimento das medidas cautelares impostas aos investigados pode levar ao agravamento das sanções, incluindo a revogação da prisão domiciliar e a decretação de prisão preventiva em unidade prisional.

    Enquanto isso, a população de Turilândia acompanha com apreensão os desdobramentos do caso. O início dos depoimentos marca uma etapa decisiva da investigação e pode trazer novos elementos capazes de redefinir o futuro político e administrativo do município.

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