
O debate sobre uma possível candidatura de Eduardo Braide ao Governo do Maranhão em 2026 ganhou um novo ingrediente estratégico: o histórico de derrotas de prefeitos de capitais que renunciaram ao mandato para disputar o Executivo estadual.
Levantamento citado pelo jornal O Globo aponta que, desde 2000, 70% dos prefeitos de capitais que deixaram o cargo para tentar virar governadores foram derrotados. Dos 19 gestores que adotaram essa estratégia, apenas seis conseguiram chegar ao comando do estado.

O dado reacende o alerta político em São Luís e coloca pressão adicional sobre Braide, que tem menos de 50 dias para decidir se permanece à frente da prefeitura até 2028 ou se aposta em um projeto estadual já em 2026.
O risco eleitoral de deixar a prefeitura antes do fim do mandato
A experiência nacional indica que a decisão de abandonar o mandato municipal pode ser interpretada pelo eleitorado como quebra de compromisso. Prefeitos eleitos com promessa de cumprir quatro anos acabam enfrentando resistência quando optam por disputar outro cargo antes do término da gestão.
Analistas políticos destacam três fatores críticos nesse movimento:
- Percepção de oportunismo eleitoral
- Desgaste na imagem de gestor comprometido
- Dificuldade de transferir popularidade local para o interior do estado
Em estados com forte peso eleitoral fora das capitais, como o Maranhão, esse desafio se intensifica.
O precedente maranhense: Jackson Lago
O Maranhão já viveu situação semelhante. Em 2002, Jackson Lago deixou a Prefeitura de São Luís para disputar o Governo do Estado. Na ocasião, acabou derrotado por José Reinaldo Tavares.
O episódio é frequentemente lembrado nos bastidores políticos como exemplo clássico dos riscos envolvidos na estratégia.
Embora cada eleição tenha seu próprio contexto, o caso reforça a tese de que popularidade na capital não garante capilaridade estadual — especialmente em um estado onde a maioria do eleitorado está fora da região metropolitana.
O desafio de conquistar o interior
No Maranhão, o interior tem peso decisivo nas eleições para o Palácio dos Leões. Prefeitos de capital, por mais bem avaliados que estejam em seus municípios, precisam construir:
- Alianças partidárias robustas
- Apoio de lideranças regionais
- Presença política em cidades médias e pequenas
- Estrutura de campanha estadual consolidada
Sem esse conjunto, a força concentrada em São Luís pode não ser suficiente.
Braide entre dois caminhos
Para Eduardo Braide, a decisão envolve cálculo político e risco estratégico.
Se permanecer na Prefeitura de São Luís até 2028, mantém estabilidade administrativa e consolida imagem de gestor que cumpre mandato integral.
Se optar por disputar o Governo do Maranhão em 2026, entra em uma disputa estadual altamente competitiva, com adversários já estruturados e alianças em formação.
A escolha pode redefinir completamente sua trajetória política:
- Ou se consolida como liderança estadual,
- Ou enfrenta o risco estatístico que já atingiu a maioria dos prefeitos que tentaram dar esse salto.
O que está em jogo em 2026
O cenário de 2026 tende a ser polarizado e estratégico. O eleitor maranhense, especialmente no interior, costuma valorizar presença, articulação regional e alianças sólidas.
O levantamento nacional funciona como sinal de alerta, mas não determina resultado. Ainda assim, os números mostram que transformar capital político municipal em vitória estadual é mais difícil do que parece.
Para Braide, o relógio político já começou a correr.
Compartilhe isso:
- Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
- Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
- Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
- Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir
- Clique para compartilhar no X(abre em nova janela) 18+

