• Desabamento no barracão da Mocidade da Ilha em São Luís: Imóvel interditado e uso irregular expostos

    Parte do teto do barracão da Mocidade da Ilha desabou durante os preparativos para o Carnaval de São Luís 2026, deixando cinco feridos.
    Parte do teto do barracão da Mocidade da Ilha desabou durante os preparativos para o Carnaval de São Luís 2026, deixando cinco feridos.

     

    Na noite desta terça-feira (17), um acidente chocante abalou o Carnaval de São Luís. O teto de um prédio utilizado como barracão da escola de samba Mocidade da Ilha desabou parcialmente, deixando cinco pessoas feridas, incluindo adultos e crianças. A tragédia ocorre após a revelação de que o local já estava interditado pela Prefeitura de São Luís desde janeiro de 2024 devido a problemas estruturais.

    A situação, que poderia ter sido evitada, expõe as graves irregularidades no uso do imóvel, que já estava sob restrição de uso desde o começo deste ano. O Corpo de Bombeiros do Maranhão foi acionado imediatamente e, com o apoio do Samu, prestou socorro às vítimas, que foram levadas para unidades de saúde próximas.

    Interdição e irregularidades no uso do imóvel

    O prédio onde ocorreu o incidente pertence à associação do bairro da Cohab, mas foi cedido para uso da Mocidade da Ilha com o intuito de servir como espaço para a confecção de fantasias para o Carnaval. Apesar de já estar interditado, o local foi utilizado pela agremiação sem autorização legal. O Corpo de Bombeiros havia feito a interdição após constatar sérios riscos estruturais, mas o espaço continuou a ser usado pela escola de samba de forma irregular.

    O tenente-coronel José Lisboa, do Corpo de Bombeiros, confirmou que a ocupação do imóvel era ilegal. “Já havia uma formalização da interdição pela Prefeitura e nossa atuação foi no sentido de reforçar essa medida, mas infelizmente o espaço continuava sendo utilizado de forma imprópria”, declarou.

    Detalhes do acidente e os impactos

    O desabamento ocorreu enquanto integrantes da Mocidade da Ilha trabalhavam na produção de fantasias para o desfile do Carnaval de São Luís 2026. Testemunhas afirmaram que o incidente aconteceu em meio a uma chuva forte, o que pode ter agravado o colapso estrutural. Três adultos e duas crianças ficaram feridos, sendo rapidamente socorridos e encaminhados para atendimento médico.

    O diretor operacional da Mocidade da Ilha, Oscar, negou que houvesse intenção de desrespeitar a interdição, mas a denúncia da falta de estrutura no barracão é agora um ponto de destaque. “Não imaginávamos que o teto fosse desabar. Mesmo com as condições do prédio, tomamos cuidados, como retelhamento, mas infelizmente não foi o suficiente”, explicou Oscar.

    As vítimas, que foram identificadas em postagens nas redes sociais da escola, estão sob observação, mas o estado de saúde não é considerado grave, de acordo com a nota divulgada pela Mocidade da Ilha.

    Preparativos para o Carnaval 2026

    Apesar do acidente, a escola de samba segue seus preparativos para o Carnaval 2026, e o samba-enredo “Beijo: uma expressão humana através do tempo” promete ser um dos destaques da folia. A Mocidade da Ilha está prevista para abrir os desfiles na Passarela do Samba de São Luís.

    A solidariedade foi imediata, com outras escolas de samba, como Favela do Samba, Flor do Samba, e Império Serrano, se manifestando nas redes sociais, oferecendo apoio aos feridos e à escola.

    Investigação e responsabilidades

    O acidente trouxe à tona questionamentos sobre a segurança nos espaços usados para os preparativos de carnaval e a responsabilidade dos gestores. A Polícia Civil já iniciou a investigação para apurar as circunstâncias da ocupação do imóvel interditado e as possíveis responsabilidades pelos riscos à saúde e segurança das pessoas que estavam no local no momento do desabamento.

    As autoridades têm até o momento informado que todas as circunstâncias serão cuidadosamente investigadas e que medidas legais podem ser adotadas contra os responsáveis pela ocupação irregular do imóvel. O episódio também gerou uma reflexão sobre a segurança estrutural em locais utilizados durante o período do carnaval, evidenciando a necessidade de fiscalização mais rigorosa.

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