• Desembargador afastado pelo CNJ seguirá recebendo salário integral

    O desembargador Magid Nauef Láuar, da 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), continuará recebendo salário e benefícios mesmo após ter sido afastado do cargo por determinação da Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

    O afastamento cautelar foi determinado pela Corregedoria Nacional de Justiça após a abertura de investigação preliminar para apurar indícios de “teratologia” — termo utilizado para classificar possível ato judicial grave — no voto que absolveu um homem acusado de estupro de vulnerável.

    Salário integral garantido por resolução do CNJ

    Em nota oficial, o TJMG informou que a manutenção do subsídio está prevista na Resolução nº 135/2011 do CNJ.

    “Em caso de afastamento cautelar, fica assegurado ao desembargador o recebimento do seu subsídio integral”, diz o tribunal.

    Segundo dados do próprio CNJ, apenas no mês de janeiro, Magid Láuar recebeu valores brutos na ordem de R$ 164,3 mil. O montante inclui:

    • Salário-base aproximado de R$ 41,8 mil
    • Verbas indenizatórias
    • Auxílios diversos

    O valor líquido recebido teria sido de cerca de R$ 145,3 mil.

    Durante o afastamento, um magistrado de primeiro grau foi convocado para assumir temporariamente os processos da 9ª Câmara Criminal, garantindo a continuidade dos julgamentos.

    Absolvição gerou reação institucional

    O caso ganhou repercussão após decisão proferida em 11 de fevereiro, quando o desembargador votou pela absolvição de um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos, em Indianópolis (MG). No voto, ele mencionou a existência de “vínculo afetivo consensual” entre o acusado e a vítima.

    A decisão provocou reação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), além de críticas de especialistas e entidades da sociedade civil.

    Denúncias de assédio e investigação

    Após a repercussão do julgamento, surgiram denúncias de assédio sexual contra o magistrado, referentes ao período em que atuou como juiz nas comarcas de Ouro Preto e Betim.

    Por determinação do corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, ao menos cinco vítimas foram ouvidas, incluindo uma residente no exterior.

    De acordo com o CNJ, parte dos fatos relatados estaria prescrita na esfera criminal. No entanto, também teriam sido identificados episódios mais recentes, ainda não atingidos pela prescrição, o que fundamentou a continuidade da apuração.

    O TJMG informou que instaurou procedimento administrativo para investigar as denúncias.

    O que acontece agora

    Enquanto durar o afastamento cautelar:

    • O desembargador permanece recebendo salário integral e benefícios;
    • Um magistrado substituto atua na 9ª Câmara Criminal;
    • O CNJ conduz investigação para apurar eventual irregularidade funcional;
    • O TJMG realiza procedimento administrativo paralelo.

    O caso segue em análise e poderá resultar em sanções administrativas, a depender da conclusão da apuração.

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