
A necessidade de exames oftalmológicos nos primeiros anos de vida foi o tema central da entrevista concedida pela médica oftalmologista Dra. Acácia Jordão ao programa da TV UFMA, apresentada pela jornalista Luísa Rabelo. A conversa trouxe à tona um alerta importante para pais, responsáveis e profissionais de saúde: cuidar da visão desde o nascimento é essencial para garantir o pleno desenvolvimento da criança, prevenir doenças graves e evitar prejuízos irreversíveis ao aprendizado e à qualidade de vida.
Com mais de três décadas de experiência na oftalmologia, Dra. Acácia destacou que a saúde ocular deve ser tratada como parte integrante do cuidado global com o bebê, começando ainda na gestação e seguindo ao longo da primeira infância. Segundo a especialista, muitos problemas visuais podem ser evitados, minimizados ou tratados com sucesso quando identificados precocemente, reforçando o papel da medicina preventiva como aliada fundamental da saúde pública.
A visão como base do desenvolvimento infantil
Durante a entrevista, Dra. Acácia Jordão explicou que os primeiros anos de vida são decisivos para o desenvolvimento da visão. É nesse período que o sistema visual está em formação e aprendizado, e qualquer alteração não diagnosticada pode comprometer não apenas a capacidade de enxergar, mas também o desenvolvimento cognitivo, motor e escolar da criança.
Problemas de visão não corrigidos na infância podem resultar em dificuldades de aprendizado, baixo rendimento escolar, atraso no desenvolvimento e, em casos mais graves, cegueira permanente. Por isso, a oftalmologista reforçou que a consulta oftalmológica deve fazer parte da rotina de cuidados com a criança, assim como as consultas pediátricas e outras avaliações de saúde.
Diagnóstico precoce e prevenção da cegueira infantil

Questionada sobre como o diagnóstico precoce pode evitar ou reduzir casos de cegueira na infância, Dra. Acácia foi enfática: mesmo em bebês, uma consulta oftalmológica é capaz de descartar ou identificar condições graves que, se não tratadas a tempo, podem levar a sequelas permanentes.
Ela destacou a importância do chamado “teste do olhinho”, exame fundamental para avaliar a saúde ocular do recém-nascido. Por meio da análise do reflexo vermelho e do reflexo fotomotor, o oftalmologista consegue verificar se há alterações importantes nas estruturas internas do olho.
Segundo a médica, esse exame permite identificar doenças como catarata congênita, retinopatia da prematuridade e o retinoblastoma, considerado o tumor maligno ocular mais grave na infância. O diagnóstico precoce dessas condições pode ser decisivo para salvar a visão e, em alguns casos, a própria vida da criança.
Teste do olhinho: quando e com quem fazer
Um dos pontos centrais da entrevista foi a orientação sobre o momento ideal para a realização do teste do olhinho. Embora muitas maternidades realizem uma triagem inicial, Dra. Acácia ressaltou que o exame deve, preferencialmente, ser feito por um oftalmologista.
Ela explicou que, além de avaliar a visão, o teste também tem caráter neurológico, pois analisa a resposta das fibras nervosas ligadas à íris. No entanto, a especialista fez uma ponderação importante: na sua avaliação clínica, o ideal não é que o exame seja realizado imediatamente após o nascimento ou nos primeiros dias de vida.
De acordo com a oftalmologista, o período entre 20 e 30 dias após o nascimento é mais adequado para uma avaliação mais precisa e confortável tanto para o bebê quanto para o profissional. Bebês muito novos ainda estão em processo de adaptação ao ambiente externo, o que pode dificultar o exame e gerar desconforto desnecessário.
Dra. Acácia também destacou a importância de respeitar o período de adaptação do recém-nascido, que acabou de sair de um ambiente protegido e confortável. A orientação adequada aos pais faz parte do cuidado humanizado e responsável com a saúde infantil.
Problemas de visão mais comuns na infância
Outro tema abordado na entrevista foi a incidência crescente de problemas de refração em crianças, como miopia, hipermetropia e astigmatismo. Segundo Dra. Acácia Jordão, fatores ambientais, genéticos e até epigenéticos têm contribuído para o aumento desses distúrbios visuais.
Ela explicou que mudanças no estilo de vida, maior exposição a telas, menos atividades ao ar livre e até fatores climáticos podem influenciar o desenvolvimento da visão. Além disso, doenças infectocontagiosas, como a conjuntivite, também são comuns na infância e exigem acompanhamento adequado.
A oftalmologista reforçou que levar a criança ao oftalmologista apenas quando surgem queixas visuais não é suficiente. O acompanhamento regular permite identificar alterações silenciosas, que muitas vezes não são percebidas pelos pais ou pela própria criança.
Prematuridade e riscos para a visão
A entrevista também trouxe um alerta importante sobre os riscos da prematuridade para a saúde ocular. Bebês prematuros, especialmente aqueles que necessitam de internação em incubadoras e uso de oxigênio, estão mais suscetíveis ao desenvolvimento da retinopatia da prematuridade.
Dra. Acácia explicou que a retina é um dos tecidos mais sensíveis do corpo humano, com alta atividade metabólica. A exposição excessiva ao oxigênio pode provocar alterações nos vasos sanguíneos da retina, levando à formação de fibroses que comprometem seriamente a visão.
Sem acompanhamento e tratamento adequados, a retinopatia da prematuridade pode evoluir para quadros graves de deficiência visual e até cegueira. Por isso, o acompanhamento oftalmológico de bebês prematuros é indispensável e deve seguir protocolos rigorosos.
Medicina preventiva: cuidado que evita prejuízos futuros
Ao longo da entrevista, Dra. Acácia Jordão reforçou a importância da medicina preventiva como estratégia eficaz, acessível e responsável. Segundo ela, prevenir é sempre mais barato, menos traumático e mais eficiente do que tratar doenças já instaladas.
Na infância, essa lógica é ainda mais evidente, pois o organismo está em formação e responde melhor às intervenções precoces. Quanto mais cedo uma alteração visual é identificada, maiores são as chances de sucesso no tratamento e menores os impactos no desenvolvimento da criança.
A médica também chamou atenção para os fatores hereditários. Pais que possuem problemas de refração devem redobrar a atenção com a saúde ocular dos filhos, já que a predisposição genética aumenta significativamente as chances de a criança desenvolver o mesmo tipo de alteração.
Nesse contexto, a primeira infância e o período de alfabetização são considerados momentos-chave para avaliações oftalmológicas completas, garantindo que a criança tenha condições adequadas de aprendizado e desenvolvimento escolar.
Informação como ferramenta de conscientização
A entrevista exibida pela TV UFMA cumpre um papel fundamental ao levar informação de qualidade à população, promovendo conscientização sobre a importância da saúde ocular infantil. Ao abordar o tema de forma clara, acessível e embasada na experiência clínica, o programa contribui para a formação de uma cultura de prevenção e cuidado contínuo.
Dra. Acácia Jordão destacou que ainda há desconhecimento por parte de muitos pais sobre a necessidade de consultas oftalmológicas regulares na infância. Iniciativas como essa ajudam a mudar essa realidade, incentivando atitudes responsáveis que podem transformar vidas.
Quem é a Dra. Acácia Jordão
A Dra. Acácia Jordão é médica oftalmologista com mais de 35 anos de atuação na área da saúde ocular. Reconhecida por sua experiência clínica e abordagem humanizada, dedica-se ao cuidado integral da visão em todas as fases da vida, com atenção especial à infância e à prevenção de doenças oculares.
Ao longo de sua trajetória, construiu sólida reputação pela defesa da medicina preventiva, pela atualização constante e pelo compromisso com a educação em saúde. Sua participação em programas de comunicação, como a entrevista à TV UFMA, reforça seu papel como referência na oftalmologia e como agente ativa na conscientização da sociedade sobre a importância do diagnóstico precoce e do cuidado contínuo com a visão.
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