
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro reagiu publicamente ao pedido da Polícia Federal para que retorne às funções como escrivão da corporação, cargo que ocupa por concurso público. A convocação ocorreu após a perda de seu mandato parlamentar, determinada pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados no fim de 2025.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo afirmou que não pretende abrir mão do cargo e declarou que vai “lutar” para mantê-lo. Ao mesmo tempo, disse não ter condições de retornar ao Brasil neste momento, alegando receio de perseguição política e citando diretamente autoridades do Judiciário, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Convocação da PF reacende embate político
A solicitação da Polícia Federal ocorre dentro dos trâmites administrativos previstos para servidores que se afastam do cargo para exercer mandato eletivo. Com a cassação do mandato de deputado federal, Eduardo Bolsonaro perdeu automaticamente a prerrogativa que lhe permitia permanecer licenciado da função na PF.
A corporação, então, notificou o ex-parlamentar para que reassumisse suas atribuições como escrivão. A resposta veio em tom político, transformando um procedimento administrativo em mais um capítulo da disputa pública envolvendo o clã Bolsonaro e instituições do Estado brasileiro.
“Não entregarei de mão beijada”, diz Eduardo
No vídeo divulgado, Eduardo Bolsonaro afirmou que não pretende “entregar” o cargo e destacou que foi aprovado por concurso público, tendo, segundo ele, direito de permanecer na carreira.
“Ficarei firme. Não entregarei meu cargo na Polícia Federal de mãos beijadas. Vou lutar por ele, porque sei que batalhei para ser aprovado nesse concurso”, afirmou.
O ex-deputado também mencionou preocupações com possíveis impactos administrativos e patrimoniais, citando aposentadoria, porte de arma e o uso de armamento institucional.
“Sei que querem pegar minha aposentadoria da Polícia Federal, porque eu contribuo para a PF e não para a aposentadoria como deputado federal. Também querem meu porte de armas e minha pistola Glock, que é abasonada da PF até hoje”, disse.
Permanência fora do Brasil
Eduardo Bolsonaro afirmou que não tem condições de retornar ao Brasil neste momento. Ele está nos Estados Unidos desde fevereiro e justificou a permanência no exterior mencionando a situação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que permanece preso na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.
Segundo Eduardo, o pai enfrenta problemas de saúde e seria alvo de perseguição política, argumento frequentemente utilizado por aliados do ex-presidente para criticar decisões judiciais recentes.
Inquéritos no STF ampliam tensão
Além da questão administrativa com a Polícia Federal, Eduardo Bolsonaro é alvo de inquéritos no Supremo Tribunal Federal. As investigações apuram suposta articulação internacional para pressionar o Brasil por meio de sanções econômicas e políticas.
Entre os episódios citados nos autos está a atuação de Eduardo junto a parlamentares e autoridades estrangeiras, especialmente nos Estados Unidos, em meio a críticas ao Judiciário brasileiro. Um dos pontos investigados envolve a repercussão do chamado “tarifaço” decretado pelo governo norte-americano em julho do ano passado, que afetou produtos brasileiros.
Cargo público e limites legais
Especialistas em direito administrativo explicam que servidores públicos concursados têm o direito de retornar ao cargo após o término de mandato eletivo, desde que cumpram os requisitos legais e administrativos. No entanto, a ausência injustificada, a recusa em reassumir funções ou o descumprimento de determinações administrativas podem resultar em sanções.
No caso de Eduardo Bolsonaro, a situação é considerada sensível, pois envolve não apenas a relação funcional com a Polícia Federal, mas também investigações em curso e sua permanência fora do país.
Discurso político e estratégia de mobilização
Analistas políticos avaliam que o pronunciamento de Eduardo tem forte componente de mobilização política. Ao transformar uma convocação administrativa em discurso de resistência, ele reforça a narrativa de perseguição que tem sido adotada por aliados do bolsonarismo desde a saída do ex-presidente do poder.
A estratégia também mira a base de apoiadores mais fiel, que costuma reagir com engajamento a conteúdos que envolvem embates com o STF, a Polícia Federal e outras instituições.
Próximos passos ainda são incertos
Até o momento, a Polícia Federal não se manifestou publicamente sobre eventuais medidas administrativas adicionais caso Eduardo Bolsonaro não reassuma o cargo dentro do prazo estabelecido. O procedimento segue sob análise interna, respeitando o devido processo legal.
Enquanto isso, o ex-deputado mantém o discurso de enfrentamento e afirma que seguirá lutando para preservar sua posição na corporação. O caso deve continuar repercutindo tanto no campo jurídico quanto no político, ampliando a tensão entre o bolsonarismo e instituições do Estado.
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