• Elisiane Gama no Tête a Tête: senadora fala de fé, feminicídio, Bolsonaro e proximidade com Braide

     

    A participação da senadora Eliziane Gama no podcast Tête a Tête, apresentado pelo jornalista Olavo Sampaio, trouxe declarações fortes sobre política, religião, feminicídio e bastidores do poder no Maranhão.

    Durante a conversa, a parlamentar revisitou sua trajetória política, comentou críticas que recebe de setores evangélicos, relembrou momentos de destaque nacional — como a atuação na CPI da Covid — e falou sobre especulações políticas que movimentam os bastidores, incluindo sua relação com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide.

    A entrevista revelou uma Eliziane mais reflexiva, que admite ter aprendido com os erros da juventude política, mas que continua firme em pautas que considera centrais: a defesa das mulheres, a fé cristã e a atuação política em nível nacional.

    Da menor votação ao Senado: a trajetória política de Eliziane

    Logo no início da entrevista, Eliziane relembrou sua ascensão política, marcada por crescimento progressivo nas urnas.

    Segundo a senadora, sua carreira foi construída “degrau por degrau”.

    Ela recorda que começou como deputada estadual com pouco mais de 15 mil votos, sendo uma das menos votadas do Maranhão naquele momento. Na eleição seguinte, quase triplicou o resultado, chegando a cerca de 37 mil votos.

    Depois, veio a eleição para deputada federal, quando foi a mais votada do estado e a única mulher eleita para o cargo naquele pleito.

    A consagração veio com a eleição ao Senado, quando ultrapassou 1,5 milhão de votos, consolidando-se como uma das principais lideranças políticas do Maranhão.

    Na entrevista, ela reconhece que a experiência trouxe mudanças na forma de fazer política.

    “Às vezes você quer o ótimo e acaba não conseguindo nem o bom. A política ensina que, em alguns momentos, é preciso flexibilizar para alcançar resultados possíveis.”

    Defesa das mulheres e combate ao feminicídio

    Um dos temas mais fortes da entrevista foi o combate à violência contra a mulher — uma das principais bandeiras do mandato da senadora.

    Eliziane afirmou que sua trajetória política sempre esteve ligada à defesa dos direitos humanos e à proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade.

    Ela lembrou iniciativas legislativas e ações no Congresso voltadas ao enfrentamento da violência doméstica e à criação de políticas públicas para mulheres.

    Durante a conversa, a senadora citou um dado alarmante:

    • cerca de quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil, muitas vezes dentro do ambiente familiar.

    Para ela, o feminicídio é resultado de uma escalada de violência que começa com agressões verbais.

    “O assassinato não começa no dia da morte. Ele começa com um palavrão, depois vem o empurrão, o puxão de cabelo… até chegar à tragédia.”

    Ela defende que o enfrentamento desse problema exige mais estrutura do Estado, como delegacias especializadas, promotorias e orçamento garantido para políticas públicas voltadas às mulheres.

    Fé evangélica e críticas ao uso político da religião

    Outro ponto que ganhou destaque foi a relação entre fé e política.

    Filha de pastor e criada na igreja Assembleia de Deus, Eliziane afirmou que sua identidade evangélica sempre fez parte de sua vida pública.

    Segundo ela, há hoje uma instrumentalização da religião na política brasileira, especialmente em períodos eleitorais.

    “Virou modismo dizer que é evangélico. Às vezes a pessoa nem sabe o nome da igreja que frequenta.”

    A senadora também criticou ataques que recebe nas redes sociais questionando sua fé.

    Ela diz que sua atuação política está alinhada com princípios cristãos.

    “Defender a mulher não é ser contra a Bíblia. O evangelho é a defesa da vida.”

    CPI da Covid e embates com Bolsonaro

    A entrevista também abordou um dos momentos mais marcantes da carreira nacional da senadora: sua participação na CPI da Covid, no Senado.

    Durante a investigação, Eliziane teve atuação ativa e protagonizou confrontos políticos ao criticar decisões e omissões do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro na condução da pandemia.

    Apesar de pesquisas indicarem que boa parte dos evangélicos brasileiros apoiava Bolsonaro, a senadora disse que sua postura na CPI foi coerente com sua trajetória.

    Para ela, o trabalho na comissão teve grande repercussão porque foi amplamente televisionado e acompanhado pela população.

    Relação com Eduardo Braide reacende especulações políticas

    Nos bastidores da política maranhense, um tema que tem gerado comentários é a possível aproximação política entre Eliziane Gama e o prefeito de São Luís, Eduardo Braide.

    Durante a entrevista no Tête a Tête, a senadora reconheceu que mantém proximidade com o prefeito, o que reacendeu especulações sobre possíveis alianças futuras.

    Eliziane também comentou que divergências políticas com o deputado Fernando Braide, irmão do prefeito, ficaram no passado.

    Nos bastidores, há quem interprete essa aproximação como parte de um movimento estratégico dentro do tabuleiro político do Maranhão.

    Política, religião e redes sociais: um cenário de disputa

    Outro ponto abordado na entrevista foi o impacto das redes sociais na política contemporânea.

    Segundo Eliziane, muitas narrativas são construídas para desgastar adversários, inclusive envolvendo religião.

    Ela afirma que há campanhas que tentam associá-la a ideologias que, segundo ela, não refletem sua trajetória.

    “Alguns dizem que eu não sou evangélica. Mas eu nasci na igreja, sou filha de pastor e professora de escola bíblica.”

    Para a senadora, a polarização política no Brasil tem ampliado esse tipo de disputa narrativa.

    Uma entrevista que revela bastidores da política

    A participação de Eliziane Gama no podcast Tête a Tête acabou indo além de uma conversa institucional.

    A entrevista revelou:

    • bastidores da política nacional
    • reflexões pessoais sobre a carreira
    • críticas à instrumentalização da fé
    • posicionamentos firmes sobre violência contra mulheres
    • e sinais de possíveis movimentos no cenário político maranhense.

    Em um ambiente político cada vez mais polarizado, as declarações da senadora reforçam sua estratégia de dialogar com diferentes públicos — inclusive o eleitorado evangélico, que cresce no Brasil e tem influência direta nas disputas eleitorais.

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