
O mês de janeiro é considerado o mês de atenção à saúde mental, mas também de autocuidado e prevenção, além de planejamento de hábitos saudáveis e sustentáveis que possam ser incorporados à sua rotina, como exercícios, sono de qualidade e tempo para lazer.
Sobre esses temas, a Dra. Mariana Corrêa, Coordenadora Terapêutica da Estância Bela Vista, Assistente Social e Psicanalista, Mestra e Doutoranda em Políticas Públicas, vai falar sobre como é importante cuidar da saúde mental e, em caso de necessidade de ajuda, quem deve procurar.
A Dra. Mariana destaca que a saúde mental é tão fundamental quanto a saúde física e deve ser tratada com a mesma atenção e cuidado. Ela enfatiza que, muitas vezes, as pessoas enfrentam dificuldades emocionais, como ansiedade, depressão ou estresse, mas não sabem como ou quando buscar ajuda. É preciso desmistificar a ideia de que procurar um profissional de saúde mental é um sinal de fraqueza. Na verdade, é um ato de coragem e de autocuidado. Veja a entrevista completa:
1. Saúde mental importa ou é apenas a “moda” da vez?
Embora o assunto esteja em todo lugar, e que bom que está, saúde mental nunca foi moda; o que mudou foi a nossa coragem de falar sobre o que antes era escondido, estigmatizado. O sofrimento emocional não é frescura, mas o resultado de conflitos internos e pressões externas que todos enfrentamos. Ignorar a saúde mental é como tentar ignorar a gravidade: ela continua agindo sobre você, quer você aceite ou não. A “moda”, na verdade, é um despertar necessário. Em uma época de excessos e cobranças irreais, cuidar da mente é um ato de sobrevivência. Não se trata de seguir uma tendência, mas de buscar autonomia para não ser escravo dos próprios traumas e ansiedades. Saúde mental importa porque é ela que define a qualidade da sua relação com o mundo e, principalmente, com você mesmo.
2. Cuidar da mente é sinal de fraqueza?
Pelo contrário. Fraqueza é fingir que está tudo bem enquanto você adoece por dentro. Olhar para as próprias emoções exige coragem. Quando entendemos o que sentimos, paramos de gastar energia tentando esconder nossas feridas e passamos a usar essa força para viver melhor. Autoconhecimento é, na verdade, uma ferramenta de inteligência e sucesso.
3. Depressão é apenas uma tristeza profunda?
Não, e essa é uma confusão muito comum. Enquanto a tristeza é um sentimento natural que tem um motivo (uma perda, uma frustração) e passa com o tempo, a depressão é um estado de paralisia. Na psicanálise, dizemos que na tristeza o mundo ficou pobre porque algo se perdeu; já na depressão, é a própria pessoa que se sente empobrecida e sem valor. A depressão não é apenas “estar triste”, é muitas vezes a incapacidade de sentir qualquer coisa, um desânimo que rouba o prazer de viver e a energia para agir. Se a tristeza é uma chuva que passa, a depressão é como um nevoeiro que se instala e impede a pessoa de enxergar o caminho. Por isso, não basta “força de vontade”; é preciso tratamento especializado.
4. Psicólogo, psiquiatra ou psicanalista? Quem eu devo procurar?
Pense assim: o psicólogo trabalha com a fala e o comportamento, ajudando você a entender a raiz dos seus problemas. O psiquiatra é médico e cuida da parte biológica, podendo receitar remédios se o seu cérebro estiver com um desequilíbrio químico muito forte. Muitas vezes, o remédio ajuda a “baixar a poeira” da ansiedade para que você consiga conversar e evoluir na terapia. O psicanalista vai além e mergulha no seu inconsciente para descobrir por que você repete os mesmos erros sem perceber, cuida da sua história e dos seus sentimentos. Muitas vezes, o melhor resultado vem do trabalho em conjunto.
5. O que realmente funciona para proteger a mente hoje em dia?
Em um mundo que exige que a gente seja produtivo e perfeito o tempo todo, a melhor proteção é aprender a escutar a si mesmo. Muitas vezes, vivemos no “piloto automático”, tentando atender às expectativas dos outros e esquecendo do que realmente faz sentido para nós. A análise ou a terapia é o melhor espaço para fazer isso. É um lugar seguro, sem julgamentos, onde você pode parar o barulho do mundo lá fora para ouvir a sua própria voz. Nesse processo, você descobre por que age de certas formas e aprende a respeitar seus limites, transformando o autoconhecimento na sua maior armadura contra o esgotamento e a ansiedade.
6. O que significa ter uma mente saudável atualmente?
Saúde mental não é estar feliz o tempo todo ou ser inabalável. Ter uma mente saudável hoje é ter a capacidade de regular as próprias emoções e reelaborar o que nos acontece. Isso significa que, diante de uma perda ou de um imprevisto, você consegue sentir a dor ou a raiva sem ser engolido por elas. Em vez de “quebrar” ou ficar paralisado, você consegue dar um novo sentido àquela experiência para conseguir seguir em frente. Uma mente saudável é aquela que aceita que a vida tem altos e baixos, mas mantém a flexibilidade para se adaptar e continuar se relacionando bem consigo mesma e com os outros.
7. Por que procurar terapia antes de “estar no limite”?
Porque terapia não é só “apagar incêndio”: é um cuidado fundamental para a vida. E é uma pena que nem todo mundo tenha acesso, já que saúde mental deveria ser tratada como parte do básico — como consulta médica e remédio quando precisa. Pela psicanálise, muitas dores não aparecem do nada: elas vão se acumulando em repetições, em cobranças internas, em culpas e conflitos que a gente nem sempre entende. A terapia oferece um espaço para colocar isso em palavras, organizar o que está confuso e enxergar padrões que, no dia a dia, passam despercebidos. Quando a pessoa busca ajuda antes do limite, ela não espera o corpo ou a mente “gritarem” para só então agir: ela se fortalece por dentro, ganha mais clareza sobre o que sente e faz escolhas menos no automático e mais com consciência.
8. Quais são os sinais de alerta que exigem ajuda profissional imediata ou até mesmo uma internação?
A ajuda deve ser buscada na hora quando há risco à vida ou perda de contato com a realidade. Isso inclui pensamentos de morte ou planos de suicídio, comportamentos de autoagressão, agressividade descontrolada e episódios de psicose (como ouvir vozes ou ter delírios). Também é um sinal grave quando a pessoa entra em um estado de paralisia total, deixando de comer, dormir ou realizar cuidados básicos de higiene por vários dias. Nesses casos, o sofrimento ultrapassou a capacidade de elaboração da mente e exige uma intervenção externa urgente para garantir a segurança. O caminho é procurar um pronto-atendimento. O objetivo imediato é estabilizar a crise para que, depois, o paciente possa seguir com o tratamento contínuo em terapia ou análise.
9. Como funciona o modelo de cuidado da Clínica Estância Bela Vista e quais demandas ela acolhe?
A Clínica Estância Bela Vista é especializada no atendimento dessas demandas críticas, oferecendo uma proposta que vai muito além de apenas “tirar da crise”. O foco está no cuidado humanizado e na psicoeducação, ajudando o paciente e sua família a entenderem o que está acontecendo para reduzir os estigmas em torno da saúde mental. Através de um olhar pautado no respeito à subjetividade de cada um, a clínica trabalha para que o momento de urgência seja o início de um processo real de recuperação e reintegração.
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