• Exames descartam violência sexual em menino resgatado em Bacabal

    Força-tarefa intensifica buscas em área de mata fechada em Bacabal enquanto exames descartam violência contra menino resgatado.
    Força-tarefa intensifica buscas em área de mata fechada em Bacabal enquanto exames descartam violência contra menino resgatado.

    Exames periciais realizados descartaram qualquer indício de violência sexual contra o menino Anderson Kauã, de 8 anos, resgatado na zona rural de Bacabal, no interior do Maranhão. A informação foi confirmada na manhã desta terça-feira (13) pelo governador Carlos Brandão, por meio de publicação em rede social. O menino segue internado, em acompanhamento multiprofissional, e apresenta evolução clínica considerada positiva pelas equipes de saúde.

    Segundo o governador, os exames afastam qualquer suspeita de abuso sexual, hipótese que chegou a ser levantada nos primeiros dias do caso e que gerou forte comoção social. Brandão destacou ainda que o atendimento ao menino está sendo conduzido com absoluto cuidado técnico e respeito à sua condição emocional e psicológica.

    Escuta especializada segue protocolos legais

    De acordo com as autoridades, Anderson Kauã está sendo acompanhado por uma equipe do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA), responsável pela chamada escuta especializada. O procedimento segue rigorosamente os critérios da Lei da Escuta Protegida (Lei nº 13.431/2017), que estabelece diretrizes para a oitiva de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência, evitando qualquer forma de revitimização.

    Por apresentar transtorno do espectro autista (TEA), Kauã só será ouvido por profissionais altamente capacitados, em ambiente controlado, no momento considerado adequado do ponto de vista clínico e psicológico. A medida foi determinada pela promotora de Justiça da Infância e Juventude Michele Dias, que acompanha de perto o caso.

    Quatro peritos do IPCA — entre psicólogos e assistentes sociais — já estão no município e iniciaram entrevistas com familiares e pessoas próximas. A escuta do menino será realizada apenas quando houver segurança técnica de que o procedimento não causará danos emocionais e possa contribuir de forma efetiva para o esclarecimento do desaparecimento dos irmãos.

    Buscas por Ágatha e Allan continuam intensas

    Enquanto a situação clínica de Kauã evolui, as buscas por seus primos, Ágatha Isabelle, de 5 anos, e Allan Michael, de 4, continuam em ritmo intenso e entraram no décimo dia consecutivo sem que as crianças tenham sido localizadas. As operações seguem concentradas na zona rural de Bacabal, especialmente nos arredores do povoado São Sebastião dos Pretos.

    Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública, cerca de 60% da área delimitada para as buscas já foi completamente vasculhada. O perímetro atual ultrapassa 50 quilômetros quadrados e inclui regiões de mata fechada, áreas alagadas, rios, lagos e trilhas de difícil acesso.

    Investigação segue com múltiplas hipóteses

    De acordo com o delegado-adjunto de Apoio Operacional, Éderson Martins, a principal linha de investigação continua sendo o desaparecimento das crianças. No entanto, outras hipóteses não foram descartadas e seguem sob análise da Polícia Civil, que atua de forma integrada com demais órgãos de segurança e inteligência do Estado.

    As autoridades evitam detalhar essas possibilidades para não comprometer o andamento das investigações, mas reforçam que todas as informações relevantes estão sendo apuradas com cautela e responsabilidade.

    Angústia da família se intensifica com o passar dos dias

    A cada dia sem respostas, a angústia da família aumenta. A avó das crianças, Francisca Cardoso, relatou que o sofrimento é mais intenso no fim da tarde, quando a esperança de notícias se mistura ao medo de um desfecho trágico.

    Segundo ela, a rotina da família é marcada por orações, acompanhamento constante das equipes de resgate e uma espera que parece interminável. O drama mobilizou não apenas parentes, mas toda a comunidade local, que passou a participar ativamente das buscas como voluntária.

    Força-tarefa reúne mais de 600 pessoas

    A operação ganhou reforço ao longo do fim de semana e atualmente mobiliza mais de 600 pessoas, entre agentes públicos e voluntários. A força-tarefa coordenada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-MA) envolve policiais civis e militares, bombeiros militares, Força Estadual, Centro Tático Aéreo (CTA), equipes de inteligência, Perícia Oficial, Guarda Municipal, Defesa Civil e militares do Batalhão de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro.

    Durante as buscas noturnas, drones equipados com câmeras térmicas são utilizados para identificar sinais de vida por meio da variação de temperatura corporal, tecnologia considerada fundamental diante das limitações visuais impostas pela mata fechada.

    Terreno hostil dificulta avanço das equipes

    Segundo o tenente-coronel Marcos Bittencourt, do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), a região onde as buscas se concentram é extremamente hostil. Trata-se de uma área de transição entre vegetação alta e baixa, com presença de espinhos, terrenos instáveis e armadilhas naturais.

    O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Wallace Amorim, reforçou as dificuldades enfrentadas pelas equipes. “É uma mata fechada, um ambiente inóspito. Mesmo com helicóptero, não é possível visualizar tudo. Encontramos muitas armadilhas naturais ao longo do caminho”, afirmou.

    Apesar dos desafios, as autoridades garantem que as buscas não têm prazo para serem encerradas. O compromisso, segundo os órgãos envolvidos, é seguir até que todas as possibilidades sejam esgotadas e o caso seja completamente esclarecido.

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