
O Flamengo conquistou sua primeira vitória no Brasileirão 2026 ao bater o Esporte Clube Vitória por 2 a 1, no Barradão. O resultado, porém, não mascara uma atuação novamente abaixo do esperado sob o comando do técnico Filipe Luís. A equipe rubro-negra venceu pela eficiência, não pelo desempenho, e ampliou uma sequência de jogos que já figuram entre os mais preocupantes da atual temporada.
Em um cenário de pressão crescente, os três pontos eram fundamentais. Mas o futebol apresentado reforça dúvidas estruturais que persistem desde o início do ano.
🎯 Dois chutes no alvo, dois gols: a letalidade salvou
Se houve uma virtude no triunfo fora de casa, ela se chama eficiência. O Flamengo finalizou apenas duas vezes no alvo durante mais de 100 minutos de jogo — e marcou dois gols. A vitória foi construída na precisão de Everton Cebolinha e no chute de média distância de Erick Pulgar, que abriu o caminho em um jogo travado e de pouca criatividade.
A equipe carioca encontrou dificuldades na saída de bola, cometeu erros técnicos em sequência e teve dificuldades para controlar o ritmo da partida. O Vitória foi superior fisicamente, pressionou, criou mais situações e poderia ter saído com resultado diferente se tivesse sido mais eficaz.
O goleiro Rossi terminou como herói ao defender um pênalti decisivo, apesar de ter causado apreensão em algumas saídas equivocadas. A atuação resume o momento do time: instável, mas sobrevivente.
🔄 Problemas em todos os setores
O Flamengo segue apresentando falhas estruturais claras. A pressão começa no ataque, que não consegue iniciar marcação alta eficiente. No meio-campo, há falta de criatividade e dificuldade no combate. Na defesa, a linha de quatro mostra desorganização e insegurança.
Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro estiveram abaixo do nível esperado, demonstrando falta de ritmo e entrosamento. As transições defensivas continuam sendo ponto frágil. O Vitória encontrou espaços com relativa facilidade, especialmente explorando a movimentação de Renato Kayzer.
A dificuldade em manter posse qualificada é outro problema recorrente. Em vários momentos, a bola parecia “queimar” nos pés dos jogadores, com passes errados e decisões precipitadas prejudicando a fluidez ofensiva.
⚡ Boas notícias: Cebolinha e Emerson Royal
Em meio ao cenário turbulento, duas atuações merecem destaque positivo. Everton Cebolinha justificou a titularidade ao participar diretamente dos dois gols — marcou um e deu assistência no outro. Mostrou intensidade, movimentação inteligente e capacidade de decisão.
Emerson Royal também respondeu às críticas recentes com atuação segura defensivamente e participativa no apoio ao ataque. A evolução do lateral pode representar ganho importante para o sistema ofensivo.
🧩 O dilema Lucas Paquetá
A dificuldade para encaixar Lucas Paquetá na equipe segue evidente. Após boa atuação como volante em jogo anterior, ele voltou a atuar mais adiantado, aberto pela direita, mas pouco produziu. Ficou isolado, com baixa participação e ainda falhou na origem do gol do Vitória.
Filipe Luís explicou na coletiva que Paquetá atua como meia e não como ponta, tentando replicar a função exercida no West Ham. A ideia tática, porém, ainda não se traduziu em rendimento dentro de campo.
Enquanto isso, Arrascaeta teve atuação apagada. O camisa 10 pouco apareceu e não conseguiu ser o articulador necessário para um time que carece de criatividade.
📉 Queda de rendimento em comparação a 2025
O Flamengo campeão de 2025 mostrava intensidade, controle de jogo e superioridade técnica. A versão 2026 ainda não se encontrou. Mesmo com manutenção da base e reforços na janela, a equipe sofre em praticamente todos os setores.
Além do confronto contra o Vitória, os jogos diante de Internacional e Fluminense já haviam deixado sinais de alerta. A dificuldade para controlar partidas e impor ritmo é problema recorrente.
Filipe Luís atribuiu parte das dificuldades ao gramado do Barradão, mas a oscilação técnica não pode ser explicada apenas por fatores externos.
🏆 Pressão aumenta com decisão continental
A vitória alivia momentaneamente o ambiente interno, mas não encerra a cobrança. O Flamengo tem pela frente compromisso decisivo na Recopa Sul-Americana contra o Lanús, além de clássico com o Botafogo no calendário imediato.
A exigência é alta em um clube acostumado a disputar títulos. O grupo terá dias de preparação para ajustar erros e buscar resposta dentro de campo.
O Flamengo venceu, mas não convenceu. A eficiência ofensiva e a defesa de pênalti de Rossi garantiram três pontos importantes, porém os problemas estruturais permanecem evidentes.
Sob comando de Filipe Luís, a equipe vive fase de transição que exige ajustes rápidos. A temporada ainda está no início, mas a margem para oscilações diminui em um clube que mantém padrão elevado de cobrança e ambição por títulos.
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