
O ministro Flávio Dino protagonizou uma das falas mais contundentes durante reunião reservada do Supremo Tribunal Federal que discutiu a possível suspeição do ministro Dias Toffoli no caso envolvendo o Banco Master.
Segundo diálogos divulgados pelo site Poder360 nesta sexta-feira (13), Dino classificou o relatório da Polícia Federal como “lixo jurídico” e criticou a condução do debate institucional dentro da Corte. A reunião contou com a participação do presidente do STF, Edson Fachin, que foi diretamente citado na fala do colega.
“Lixo jurídico” e crise política
Durante a discussão, Dino afirmou que o documento com cerca de 200 páginas não deveria sequer ser levado adiante como fundamento para arguição de suspeição.
“Essas 200 páginas para mim são um lixo jurídico. Não adianta discutir esse lixo jurídico. A crise hoje é política, presidente”, declarou o ministro, em referência a Fachin.
A fala revela um entendimento de que o embate ultrapassaria o campo técnico-jurídico e se situaria também no plano político e institucional.
Afastamento só em caso de crimes graves
Dino também sinalizou que só admitiria a saída de Toffoli do caso diante de acusações extremamente graves, como pedofilia ou estupro, desde que acompanhadas de provas.
Em tom considerado por críticos como corporativista, afirmou: “E qualquer outro pedido de arguição eu sou STF futebol clube”, sugerindo postura de defesa institucional dos membros da Corte diante de questionamentos externos.
Proposta de nota institucional
Sem consenso imediato entre os ministros, Dino propôs a divulgação de uma nota institucional afirmando que não havia elementos para caracterizar suspeição ou impedimento.
Ao mesmo tempo, sugeriu que Toffoli poderia, “num gesto de grandeza e em defesa da institucionalidade”, encaminhar o processo para redistribuição — o que acabou ocorrendo posteriormente.
Debate sobre limites e institucionalidade
O episódio reacende o debate sobre os critérios para suspeição de ministros do STF e os limites entre proteção institucional e transparência.
A defesa enfática de Dino foi interpretada por aliados como postura de preservação da estabilidade da Corte. Já críticos enxergam excesso de corporativismo e resistência a mecanismos de controle.
O caso reforça a tensão permanente entre independência judicial, pressão política e opinião pública — temas que seguem no centro do debate nacional sobre o papel do STF.
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