• Gilmar Mendes suspende ‘penduricalhos’ do Judiciário e do MP sem previsão em lei federal

     

    Ministro Gilmar Mendes determina suspensão de penduricalhos pagos a integrantes do Judiciário e do Ministério Público sem previsão legal federal.
    Ministro Gilmar Mendes determina suspensão de penduricalhos pagos a integrantes do Judiciário e do Ministério Público sem previsão legal federal.

    O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (23) a suspensão do pagamento de verbas indenizatórias — conhecidas como “penduricalhos” — a integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público que não estejam expressamente previstas em lei aprovada pelo Congresso Nacional.

    A decisão foi proferida em caráter liminar e estabelece prazos para que tribunais e Ministérios Públicos estaduais adequem os pagamentos às regras fixadas pela Corte.

    O que são os “penduricalhos”

    A expressão “penduricalho” é usada para designar verbas adicionais ao salário-base, como:

    • Auxílios
    • Gratificações
    • Indenizações
    • Compensações financeiras

    Em tese, esses valores têm finalidade de ressarcimento ou compensação por despesas relacionadas ao exercício da função.

    No entanto, segundo o ministro, parte dessas verbas vem sendo instituída por leis estaduais, atos administrativos ou decisões internas dos tribunais, sem respaldo em legislação federal específica.

    O que determina a decisão

    A liminar estabelece que:

    ✔️ Verbas indenizatórias só poderão ser pagas se estiverem previstas em lei federal aprovada pelo Congresso Nacional.
    ✔️ O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) devem apenas regulamentar benefícios já previstos em lei.
    ✔️ Deve haver indicação clara da base de cálculo, percentual aplicado e limite máximo do benefício.

    Prazos definidos pelo STF

    Gilmar Mendes fixou dois prazos:

    • 60 dias para que tribunais e Ministérios Públicos estaduais interrompam pagamentos fundamentados exclusivamente em leis estaduais.
    • 45 dias para suspensão de verbas criadas por decisões administrativas ou atos normativos secundários.

    O ministro alertou que o descumprimento poderá configurar:

    • Ato atentatório à dignidade da Justiça
    • Responsabilidade administrativo-disciplinar
    • Responsabilidade penal
    • Obrigação de devolução dos valores pagos indevidamente

    Argumento central: isonomia e caráter nacional do Judiciário

    Na decisão, Mendes destacou que a Constituição estabelece que magistrados recebam 90% do subsídio dos ministros do STF — valor que representa o teto do funcionalismo público.

    Segundo o ministro, essa regra visa garantir independência do Judiciário e uniformidade remuneratória nacional.

    Para ele, permitir que tribunais criem novas verbas por meio de atos internos compromete o princípio da isonomia e cria distorções salariais.

    O magistrado afirmou haver “enorme desequilíbrio” na proliferação dessas gratificações.

    Relação com decisões de Flávio Dino

    A decisão de Gilmar Mendes está alinhada a medidas já adotadas pelo ministro Flávio Dino.

    No início de fevereiro, Dino determinou que os Três Poderes revisassem e suspendessem pagamentos de verbas sem fundamento legal específico.

    Posteriormente, também proibiu a edição de novos atos ou leis com o objetivo de garantir “penduricalhos” considerados ilegais.

    As decisões de Dino serão analisadas pelo plenário do STF nesta quarta-feira (25).

    O que o STF vai decidir

    Os ministros do Supremo irão deliberar se mantêm:

    • A determinação de revisão e suspensão de parcelas não previstas em lei;
    • A proibição de criação de novos benefícios por meio de atos administrativos ou leis estaduais.

    O julgamento pode consolidar uma regra nacional para o pagamento de verbas indenizatórias no Judiciário e no Ministério Público.

    Impacto institucional e fiscal

    A decisão tem potencial impacto:

    • Na estrutura remuneratória de magistrados e membros do MP;
    • Nos orçamentos estaduais;
    • No debate público sobre teto constitucional e gastos com o funcionalismo.

    Especialistas apontam que a uniformização pode reduzir judicializações futuras e ampliar a transparência na gestão de recursos públicos.

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