• Greve dos rodoviários chega ao 7º dia e nova audiência no TRT tenta destravar impasse em São Luís

    A greve dos rodoviários da Grande São Luís entra nesta quinta-feira (5) no sétimo dia consecutivo sem solução definitiva para o sistema urbano de transporte coletivo. Enquanto os ônibus do semiurbano voltaram a circular, atendendo municípios da região metropolitana, os terminais de integração da capital seguem fechados, mantendo totalmente paralisadas as linhas urbanas e ampliando os transtornos para a população.

    Na tentativa de pôr fim ao impasse, está marcada para a manhã de hoje, às 9h, uma nova audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA). O encontro reúne representantes dos trabalhadores, empresários e órgãos públicos, em um momento considerado decisivo para o futuro da paralisação.

    Terminais fechados agravam impacto da greve

    Mesmo com o retorno parcial dos ônibus do sistema semiurbano, os terminais de integração continuam sem funcionamento em São Luís. Com isso, os coletivos que atendem cidades como Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar estão realizando embarque e desembarque do lado de fora dos terminais, o que compromete o sistema de integração tarifária.

    Na prática, milhares de usuários estão sendo obrigados a pagar mais de uma passagem para concluir seus deslocamentos, especialmente aqueles que dependem da conexão entre linhas semiurbanas e urbanas. A situação tem gerado longas filas, atrasos e aumento da pressão social sobre os órgãos responsáveis pela gestão do transporte público.

    Ministério Público do Trabalho entra no mérito do conflito

    Um dos principais fatos novos desta fase da greve é a atuação mais incisiva do Ministério Público do Trabalho (MPT). O órgão ajuizou dissídio coletivo de greve contra o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Maranhão (STTREMA) e o Sindicato das Empresas de Transporte (SET), pedindo que a Justiça do Trabalho intervenha diretamente no mérito da disputa.

    Diferente de momentos anteriores, o MPT não se limitou a discutir a legalidade da paralisação. O pedido encaminhado ao TRT inclui medidas concretas para tentar encerrar o movimento.

    O que o MPT pede à Justiça do Trabalho:

    • Reajuste provisório de 6% nos salários dos rodoviários;
    • Reajuste de 6% no vale-alimentação, como medida emergencial;
    • Reconhecimento formal do descumprimento da liminar que determinava a circulação mínima de 80% da frota;
    • Aplicação de multa diária de R$ 100 mil em caso de novo descumprimento;
    • Possibilidade de uso de força policial para garantir a circulação dos ônibus;
    • Registro de que apenas o sistema semiurbano chegou a acordo, enquanto o urbano segue totalmente parado.

    Na avaliação do MPT, a situação extrapolou a esfera negocial e exige uma resposta judicial mais firme, diante do impacto direto sobre centenas de milhares de usuários do transporte público.

    Sistema urbano segue travado por impasse financeiro

    Segundo o Ministério Público do Trabalho, o principal entrave para a retomada dos ônibus urbanos é financeiro. O órgão aponta que a falta de repasse de subsídios municipais inviabilizou qualquer acordo entre empresas e trabalhadores no sistema urbano.

    Nesse contexto, o MPT faz críticas diretas à Prefeitura de São Luís, destacando que o município, na condição de poder concedente do serviço, deveria ter participação ativa na solução do conflito, mas não apresentou, até agora, alternativas viáveis para destravar as negociações.

    Já no sistema semiurbano, que envolve também a Agência Estadual de Mobilidade Urbana (MOB), houve avanço parcial, permitindo a retomada dos ônibus que atendem a região metropolitana — ainda que com instabilidade.

    Acordo no semiurbano ainda enfrenta resistência interna

    Apesar de o sistema semiurbano ter retomado as atividades, o cenário segue longe da normalidade. Após a aceitação de uma proposta de reajuste salarial de 5,5%, parte dos rodoviários voltou a paralisar as atividades de forma pontual, alegando discordância com o percentual aprovado.

    Essa paralisação momentânea ocorreu na manhã da quarta-feira (4), poucas horas depois do retorno oficial definido em audiência no TRT. Após nova articulação sindical, os ônibus voltaram a circular, mas o episódio evidenciou divisões internas na categoria, o que aumenta a incerteza sobre a estabilidade do acordo.

    Escalada do conflito e expectativa para audiência desta quinta

    A audiência desta quinta-feira é vista como um ponto de inflexão na greve. Pela primeira vez, a Justiça do Trabalho pode ser chamada a definir judicialmente índices de reajuste salarial e benefícios, caso não haja consenso entre as partes.

    Esse movimento representa uma escalada no conflito, já que transfere para o Judiciário uma decisão que, tradicionalmente, ocorre por negociação direta. A depender do desfecho, a greve pode ser encerrada por força de decisão judicial ou, no pior cenário, se prolongar ainda mais.

    Na última audiência, realizada na terça-feira (3), participaram representantes do SET, do STTREMA, do MPT, da MOB e da Prefeitura de São Luís. Entre eles estavam o diretor executivo do SET, Paulo Pires, e o presidente do STTREMA, Marcelo Brito. Apesar do avanço no semiurbano, não houve consenso sobre o sistema urbano.

    População segue como principal prejudicada

    Enquanto empresários, trabalhadores e poder público tentam chegar a um entendimento, a população de São Luís continua arcando com os maiores prejuízos. Estima-se que centenas de milhares de pessoas tenham sua rotina afetada diariamente, com impactos diretos no trabalho, na educação e no acesso a serviços essenciais.

    A expectativa agora se concentra no resultado da audiência desta quinta-feira (5), que pode definir se a greve caminha para o fim ou se o transporte público da capital seguirá em colapso nos próximos dias.

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