
A greve dos rodoviários do transporte público urbano e semiurbano de São Luís e da região metropolitana chegou ao segundo dia neste sábado (31), mantendo milhares de pessoas sem acesso regular aos ônibus. Sem acordo entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Maranhão (Sttrema) e o Sindicato das Empresas de Transporte (SET), a paralisação segue impactando diretamente a rotina de aproximadamente 700 mil passageiros que dependem diariamente do sistema coletivo.
A tentativa mais recente de negociação ocorreu na sexta-feira (30), durante uma audiência de mediação realizada na sede do Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA). O encontro foi conduzido pelo desembargador Gerson de Oliveira Costa Filho, mas terminou sem consenso entre as partes. Diante do impasse, uma nova audiência foi agendada para a próxima terça-feira (4), às 9h, novamente no TRT.
Liminar do TRT determina circulação mínima de ônibus
Mesmo sem acordo, o Tribunal Regional do Trabalho concedeu uma liminar determinando o retorno imediato de 80% da frota de ônibus em circulação. A decisão busca reduzir os impactos sociais da greve, garantindo o funcionamento parcial do transporte público enquanto as negociações continuam.
Na prática, porém, usuários relatam dificuldades para encontrar ônibus em várias regiões da capital e da Grande São Luís, principalmente nos horários de pico. Longas esperas, superlotação e atrasos continuam sendo registrados, afetando trabalhadores, estudantes e pessoas que dependem exclusivamente do transporte coletivo.
Reivindicações dos rodoviários seguem sem consenso
A principal pauta da greve envolve reajuste salarial e benefícios trabalhistas. A categoria reivindica:
- Reajuste salarial de 15%
- Tíquete-alimentação no valor de R$ 1.500
- Inclusão de mais um dependente no plano de saúde
Durante a audiência de mediação, os empresários apresentaram uma contraproposta de reajuste de 12%, segundo informou o presidente do Sttrema, Marcelo Brito. De acordo com ele, o percentual ainda será analisado pelos empresários, mas, até o momento, não houve avanço suficiente para suspender o movimento grevista.
Sem uma nova proposta formal aceita pela categoria, a greve segue por tempo indeterminado, sem previsão oficial de retorno total do serviço.
Paralisação afeta linhas urbanas e semiurbanas
A greve atinge tanto as linhas urbanas de São Luís quanto as linhas semiurbanas, que ligam a capital aos municípios da região metropolitana, como São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa. O impacto é considerado amplo, já que o transporte coletivo é o principal meio de locomoção para a maioria da população.
Com o segundo dia consecutivo de paralisação, crescem também os reflexos indiretos, como atrasos no comércio, faltas ao trabalho, prejuízos econômicos e dificuldades no acesso a serviços essenciais.
Histórico de greves marca últimos anos em São Luís
A atual paralisação se soma a uma sequência de greves de rodoviários registradas entre 2021 e 2026 na Grande São Luís. Ao longo dos últimos anos, os trabalhadores do setor cruzaram os braços em diferentes períodos, sempre motivados por impasses salariais, benefícios e condições de trabalho.
Durante a gestão do prefeito Eduardo Braide, o transporte público se consolidou como um dos principais desafios enfrentados pela administração municipal. O histórico revela que os conflitos entre rodoviários, empresários e poder público se tornaram recorrentes, gerando instabilidade no sistema e insegurança para os usuários.
Prefeitura diz que subsídio está em dia e libera vouchers
Em nota oficial, a Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), afirmou que o pagamento do subsídio ao sistema de transporte público está em dia. A gestão municipal também informou que foram liberados vouchers para corridas por aplicativo aos usuários enquanto durar a greve, respeitando decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
“A SMTT espera que empresários e rodoviários cheguem a um entendimento o mais breve possível, a fim de restabelecer a regularidade do serviço de transporte público oferecido à população”, diz trecho da nota.
MOB afirma que subsídio estadual é responsabilidade das empresas
Já a Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB) também se manifestou, esclarecendo que o subsídio estadual está sendo pago regularmente, dentro dos prazos estabelecidos. Segundo o órgão, as questões trabalhistas são de responsabilidade exclusiva das empresas operadoras, conforme previsto nos contratos de concessão.
A MOB informou ainda que segue em diálogo com os sindicatos e que, dentro de suas atribuições legais, adota medidas para contribuir com a retomada do serviço.
Expectativa para nova audiência
A expectativa agora se concentra na audiência marcada para terça-feira (4). Caso não haja avanço nas negociações, a greve pode se prolongar, ampliando ainda mais os impactos sociais e econômicos na Grande São Luís.
Enquanto isso, usuários seguem enfrentando dificuldades diárias, em mais um capítulo de um problema estrutural que se repete ao longo dos anos no transporte público da capital maranhense.
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