• Maranhão entra em projeto nacional de monitoramento de recifes de coral em Cururupu

     

    Cururupu entra em projeto nacional de preservação de recifes
    Cururupu entra em projeto nacional de preservação de recifes

    O Maranhão passa a integrar oficialmente um dos maiores projetos de conservação marinha já estruturados no país. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinou o primeiro contrato do programa BNDES Corais, incluindo o estado no mapeamento e monitoramento dos recifes rasos ao longo do litoral brasileiro. No território maranhense, a área contemplada fica em Cururupu, município que abriga o Parque Estadual Marinho Parcel Manuel Luís, uma das regiões marinhas mais relevantes do Norte e Nordeste.

    A iniciativa será executada pelo Instituto Nautilus de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade por meio do projeto SER Corais, com duração prevista de 36 meses. O investimento é de R$ 5,5 milhões, oriundos do Fundo Socioambiental, dentro da estratégia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para fortalecimento da chamada economia azul.

    Cururupu no centro da agenda ambiental

    A inclusão de Cururupu no projeto nacional de monitoramento de recifes de coral no Maranhão não é casual. O Parcel Manuel Luís é reconhecido por sua biodiversidade marinha e por abrigar formações recifais de grande valor ecológico. A área funciona como berçário natural para diversas espécies e exerce papel estratégico na proteção costeira.

    Com a nova etapa do projeto, serão realizadas expedições de campo, mergulhos científicos, coleta e análise de dados ambientais. O objetivo é acompanhar a saúde dos recifes rasos distribuídos ao longo de aproximadamente 2,8 mil quilômetros do litoral brasileiro, incluindo trechos do Nordeste e Sudeste.

    No Maranhão, os estudos vão avaliar a cobertura coralínea, espécies associadas e a presença de espécies exóticas invasoras, além de produzir mapas técnicos e relatórios científicos que possam subsidiar políticas públicas de conservação marinha.

    Ciência aplicada à gestão pública

    O monitoramento de recifes de coral no Maranhão não se limita à produção acadêmica. O projeto prevê a elaboração de protocolos de restauração recifal, experimentos de cultivo de corais tanto in situ (viveiros no mar) quanto ex situ (em laboratório), além de testes de diversidade genética para recomposição de áreas degradadas.

    Um dos diferenciais é a criação de um aplicativo voltado ao Protocolo Geral de Alerta, Detecção Precoce e Resposta Rápida para espécies invasoras no ambiente marinho. A ferramenta deve fortalecer o sistema nacional de monitoramento e permitir respostas mais rápidas diante de ameaças ambientais.

    A contratação do projeto integra o BNDES Corais, considerado a maior chamada pública já realizada no país dedicada exclusivamente à conservação e regeneração de recifes de coral. A iniciativa também está vinculada ao BNDES Azul, programa que busca fomentar o uso sustentável dos recursos oceânicos e costeiros brasileiros.

    Impacto ambiental, social e econômico

    Os recifes de coral exercem funções que vão além da biodiversidade. Eles atuam como barreiras naturais contra a erosão, reduzem o impacto das ondas sobre o litoral e sustentam atividades econômicas como pesca e turismo.

    No caso de Cururupu e do Parcel Manuel Luís, o fortalecimento do monitoramento pode contribuir diretamente para o desenvolvimento sustentável local. O projeto prevê oficinas técnicas, capacitação de profissionais e apoio a atividades econômicas sustentáveis associadas aos recifes.

    A iniciativa também deverá gerar empregos diretos e indiretos durante os 36 meses de execução, além de fortalecer a capacidade técnica de pesquisadores e ampliar a produção de conhecimento aplicado à gestão costeira.

    Ao monitorar fatores de estresse local, como pesca predatória, poluição e urbanização desordenada, o projeto cria base técnica para medidas de mitigação e estratégias de adaptação às mudanças climáticas.

    Integração com outros estados

    Além do Maranhão, o projeto SER Corais atuará em estados como Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Ao todo, ao menos dez unidades de conservação serão apoiadas.

    O plano prevê monitorar 28 espécies, avaliar a distribuição de duas espécies invasoras prioritárias e realizar 43 eventos técnicos e oficinas ao longo da execução. A proposta é consolidar uma base de dados robusta sobre os recifes brasileiros, ampliando a capacidade de formulação de políticas ambientais.

    Alinhamento com metas globais

    A operação está alinhada à Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável e à Década da Restauração de Ecossistemas. Também dialoga com o Plano de Ação Nacional para Conservação de Ambientes Coralíneos (PAN Corais) e contribui para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente os ODS 8, 12, 13 e 14.

    Ao integrar ciência, restauração ambiental e desenvolvimento local, o projeto reforça o papel estratégico do mar brasileiro, frequentemente chamado de Amazônia Azul, cuja extensão ultrapassa 5,7 milhões de quilômetros quadrados.

    Para o Maranhão, a adesão ao projeto representa mais do que um investimento pontual. Trata-se de inserir o estado em uma agenda nacional de proteção marinha, com potencial de repercussão científica, econômica e ambiental de longo prazo.

    O que muda para o Maranhão

    A entrada do Maranhão no projeto de monitoramento de recifes de coral consolida a importância do litoral maranhense no cenário ambiental brasileiro. Cururupu passa a integrar uma rede de monitoramento que pode ampliar a visibilidade da região e fortalecer iniciativas de turismo sustentável e pesquisa científica.

    Em um contexto de mudanças climáticas e pressões crescentes sobre os ecossistemas costeiros, a produção de dados qualificados torna-se ferramenta essencial para decisões estratégicas.

    O desafio agora será transformar os relatórios técnicos e mapas científicos em políticas públicas eficazes, capazes de preservar os recifes e, ao mesmo tempo, gerar oportunidades econômicas sustentáveis para as comunidades locais.

    O monitoramento de recifes de coral no Maranhão, portanto, não é apenas uma ação ambiental. É também uma estratégia de desenvolvimento baseada na ciência e na conservação.

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