• Justiça obriga ações urgentes para reduzir risco de acidentes no Aeroporto de São Luís

    Justiça determina ações para eliminar depósitos irregulares de lixo no Aeroporto de São Luís, visando reduzir riscos de acidentes aéreos com aves.
    Justiça determina ações para eliminar depósitos irregulares de lixo no Aeroporto de São Luís, visando reduzir riscos de acidentes aéreos com aves.

    A segurança no Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado, em São Luís, Maranhão, está prestes a receber uma atenção especial, após uma sentença judicial do Ministério Público Federal (MPF), que determinou que medidas urgentes sejam adotadas para mitigar o risco de acidentes aéreos causados pela grande concentração de aves na área de segurança aeroportuária. O cenário alarmante, que envolve a presença de urubus e outras aves, motivou a ação civil pública e, agora, uma decisão judicial que impõe prazos e responsabilidades para órgãos públicos e privados.

    A Sentença e os Devidos Responsáveis

    A decisão da Justiça Federal condenou o município de São Luís, o estado do Maranhão, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e a Concessionária do Bloco Central S.A. (CCR Aeroportos) a adotar, em até 90 dias, providências para eliminar os depósitos irregulares de lixo, um dos principais atrativos para as aves. As áreas afetadas, de acordo com a sentença, incluem os bairros Vila Cascavel, São Raimundo e a Avenida José Sarney, regiões que têm sido recorrentes na atração de aves devido ao descarte inadequado de resíduos.

    O município de São Luís, conforme estipulado pela decisão, será responsável por apresentar um plano de ação definitivo para a erradicação dos focos de lixo nas áreas mais problemáticas. Além disso, terá 60 dias para regularizar a coleta de lixo no Mercado do Peixe e seu entorno, na área do Portinho. O descumprimento dessas medidas resultará em uma multa diária de R$ 5.000,00.

    O Papel do Estado e da Infraero

    O estado do Maranhão também terá obrigações importantes. A sentença exige que o governo estadual desenvolva e apresente um cronograma anual de fiscalização ambiental de todos os empreendimentos que possam atrair fauna para a Área de Segurança Aeroportuária (ASA). Isso inclui frigoríficos, matadouros e hortomercados, todos alvos da fiscalização para evitar a atração de aves, com multa de R$ 500 mil em caso de omissão.

    Além disso, a Infraero, que administra o aeroporto, foi obrigada a apresentar, juntamente com a CCR Aeroportos, um laudo técnico sobre o estado atual do muro que delimita a área do aeroporto. O objetivo é identificar falhas e pontos de vulnerabilidade que permitam o acesso não autorizado e o descarte de lixo. Essa análise deve ser feita de forma detalhada e precisa, e a Infraero deverá arcar com os custos de reparação do dano ambiental até a data da transferência da concessão para a CCR, em 2021.

    Obrigações da CCR Aeroportos e Multas Impostas

    A CCR Aeroportos, por sua vez, tem prazos ainda mais longos para cumprir suas obrigações. Ela deverá executar as obras necessárias de reparo e adequação do muro do aeroporto, além de garantir a integridade da área e impedir novos acessos não autorizados ou descartes irregulares. O prazo estipulado para a execução completa dessas obras é de 180 dias a partir da apresentação do laudo técnico.

    Adicionalmente, a empresa terá que implementar um sistema de gestão e fiscalização contínua para garantir que não haja novos lançamentos de lixo ou efluentes na área. O não cumprimento dessas medidas acarretará em uma multa diária de R$ 5.000,00, limitada a R$ 300 mil.

    A Persistente Falta de Cumprimento das Medidas

    A decisão da Justiça é uma sequência de uma longa disputa jurídica que remonta a 2013, quando o MPF propôs a ação civil pública contra os responsáveis pelo aeroporto. Desde então, diversas audiências e tentativas de conciliação ocorreram, mas o cumprimento das medidas foi insatisfatório e parcial. Mesmo após um acordo judicial homologado em 2019, a situação permaneceu sem a devida solução, com diversos descumprimentos que colocaram em risco a segurança dos voos e a integridade das operações do aeroporto.

    Em 2022, diante do prolongado descumprimento das ordens judiciais, o Juízo da 8ª Vara Federal determinou a intimação pessoal do prefeito de São Luís e do secretário estadual de Meio Ambiente. A medida visava assegurar que o cumprimento das obrigações fosse realizado de maneira eficaz e dentro dos prazos estabelecidos.

    O Histórico e os Desdobramentos do Caso

    Em 2023, o governo estadual iniciou obras de duplicação da Avenida José Sarney, o que, na visão da Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC-MPOR), representava uma oportunidade para resolver a questão da faixa de terra necessária para as obras. Contudo, a persistência do descumprimento das ordens judiciais e a repetição das falhas de fiscalização resultaram em mais uma série de sanções e a imposição de multas ao município e ao estado.

    Em maio de 2025, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) negou o recurso interposto pelo município de São Luís, mantendo a validade das multas pessoais aplicadas ao prefeito da cidade, com base no longo histórico de desrespeito à decisão judicial.

    Conclusão e Expectativas

    A ação judicial reflete a gravidade do problema e a necessidade de ações efetivas para garantir a segurança do Aeroporto Marechal Cunha Machado e reduzir os riscos de acidentes aéreos. A concentração de aves, atraídas por depósitos irregulares de lixo, representa uma séria ameaça à aviação. O cumprimento das novas medidas impostas pela Justiça é essencial para a proteção da segurança pública e a preservação ambiental, e sua execução será monitorada de perto pelas autoridades competentes.

    Com prazos apertados e multas severas, espera-se que os responsáveis finalmente cumpram as determinações da Justiça e promovam mudanças significativas na gestão ambiental e na segurança do aeroporto, garantindo que um problema crônico seja, enfim, solucionado.

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