• Ônibus voltam às ruas em São Luís após acordo e fim da greve de rodoviários

    Candidatos embarcam nos ônibus gratuitos em São Luís para realizar as provas do Enem 2025 neste domingo.

    Após oito dias de paralisação total, os ônibus do sistema de transporte urbano de São Luís começaram a circular novamente na manhã deste sábado (7). A retomada ocorre depois de um acordo firmado entre rodoviários, empresários e a Prefeitura, com mediação do Ministério Público do Maranhão, encerrando temporariamente uma das greves mais duras já enfrentadas pela capital maranhense nos últimos anos.

    A negociação decisiva aconteceu na tarde da sexta-feira (6), na sede das Promotorias de Justiça do Consumidor, reunindo representantes do Sindicato dos Rodoviários do Maranhão, do Sindicato das Empresas de Transporte e da Prefeitura de São Luís. O entendimento garantiu o retorno imediato da frota urbana, que estava 100% parada desde o início do movimento grevista.

    Greve paralisou totalmente o sistema urbano

    A paralisação teve impacto direto na rotina de milhares de pessoas. Durante mais de uma semana, trabalhadores ficaram sem acesso regular ao transporte público, estudantes tiveram dificuldades para chegar às escolas e universidades, e o comércio da capital registrou queda no fluxo de clientes. A ausência total de ônibus urbanos agravou ainda mais os problemas de mobilidade em uma cidade que já enfrenta gargalos históricos no setor.

    Com o acordo, os rodoviários se comprometeram a retomar as atividades sem bloqueios ou novas paralisações imediatas, garantindo a circulação dos coletivos neste fim de semana e nos próximos dias. A medida foi considerada essencial para reduzir os danos acumulados ao longo da greve.

    Salários atrasados entram no centro do acordo

    Um dos pontos centrais da negociação envolve o pagamento dos salários atrasados da categoria. Pelo que ficou definido, as empresas de transporte têm até a próxima terça-feira (10) para regularizar os vencimentos dos rodoviários. O compromisso foi assumido formalmente durante a reunião mediada pelo Ministério Público.

    Caso o pagamento não seja efetuado dentro do prazo estabelecido, o acordo prevê a possibilidade de deflagração de uma nova greve a partir da quarta-feira (11). A cláusula funciona como uma salvaguarda para os trabalhadores e mantém a pressão sobre empresários e poder público para o cumprimento do que foi pactuado.

    Ministério Público priorizou impacto social da greve

    De acordo com a promotora de Justiça Lítia Cavalcante, que acompanhou diretamente as negociações, a atuação do Ministério Público teve como foco principal o interesse coletivo da população.

    “A cidade estava completamente sem ônibus. Isso afeta trabalhadores, estudantes, idosos e também o comércio. O acordo foi construído para garantir o retorno imediato do transporte público, com o compromisso de que os salários sejam pagos até terça-feira”, destacou.

    A promotora ressaltou ainda que a greve evidenciou fragilidades estruturais do sistema de transporte urbano da capital, que se repetem a cada rodada de negociação salarial.

    Ação Civil Pública mira aumento do subsídio

    Paralelamente ao acordo que encerrou a paralisação, o Ministério Público do Maranhão ingressou com uma Ação Civil Pública pedindo o aumento do subsídio pago por passageiro no sistema urbano de São Luís. Atualmente, o valor repassado é de R$ 1,35 por usuário. O MP defende a elevação para R$ 2,15, alegando que o montante atual é insuficiente para garantir o equilíbrio financeiro do serviço.

    Segundo o órgão, a defasagem no subsídio contribui diretamente para crises recorrentes, atrasos salariais e constantes ameaças de paralisação. O objetivo da ação é criar uma base financeira mais sólida, capaz de reduzir conflitos entre empresas e trabalhadores e evitar que a população seja penalizada a cada impasse.

    Problemas estruturais e falhas contratuais

    O Ministério Público também aponta que o sistema de transporte urbano de São Luís enfrenta problemas estruturais crônicos. Uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral do Município em 2023 identificou falhas graves e descumprimento de obrigações contratuais por parte das concessionárias, incluindo questões operacionais e financeiras.

    Essas fragilidades, segundo o MP, tornam o sistema vulnerável a qualquer instabilidade econômica ou conflito trabalhista, o que explica a repetição de greves ao longo dos últimos anos.

    Retorno gradual e atenção redobrada

    Embora os ônibus já estejam circulando, a expectativa é de que o sistema opere de forma gradual neste primeiro momento. Usuários ainda relatam atrasos e ajustes na oferta de linhas, algo considerado comum após longos períodos de paralisação total.

    Autoridades e sindicatos alertam que os próximos dias serão decisivos para avaliar se o acordo será cumprido integralmente e se o transporte público conseguirá manter a normalidade sem novos sobressaltos.

    População respira aliviada, mas cenário exige soluções duradouras

    O fim da greve traz alívio imediato para quem depende do transporte coletivo, mas o episódio reforça a necessidade de soluções estruturais de longo prazo. Especialistas em mobilidade urbana defendem que apenas reajustes pontuais não resolvem o problema e que o sistema precisa de reestruturação contratual, revisão de subsídios e maior fiscalização.

    Enquanto isso, São Luís volta a ter ônibus nas ruas — ainda sob clima de cautela e com a atenção voltada para o cumprimento dos compromissos assumidos.

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