• ONU cobra justiça e transparência em julgamento sobre morte de Marielle no STF

    ONU pede justiça plena e transparência no julgamento dos acusados pela morte de Marielle Franco, analisado pelo STF nesta semana.
    ONU pede justiça plena e transparência no julgamento dos acusados pela morte de Marielle Franco, analisado pelo STF nesta semana.

    A Organização das Nações Unidas (ONU) cobrou equidade, transparência e justiça plena no julgamento dos acusados de serem mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O caso será analisado nesta semana pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

    A manifestação foi divulgada nesta segunda-feira (23), em Genebra, e reúne 16 especialistas independentes da ONU, entre relatores especiais e integrantes de grupos de trabalho internacionais.

    Pedido de equidade e reparação

    No comunicado conjunto, os especialistas defenderam que o julgamento seja conduzido com:

    • Equidade
    • Transparência
    • Garantia de reparação às vítimas

    O grupo também destacou que o caso envolve questões relacionadas a racismo sistêmico, discriminação estrutural e violência política no Brasil.

    Segundo a nota, o julgamento representa não apenas uma etapa decisiva para responsabilização criminal, mas também um marco no enfrentamento à impunidade em crimes contra defensores de direitos humanos, mulheres, pessoas afrodescendentes e LGBTIQ+.

    Crime que repercutiu internacionalmente

    Marielle Franco e Anderson Gomes foram mortos a tiros em 14 de março de 2018, no bairro do Estácio, região central do Rio de Janeiro.

    A ONU ressaltou que Marielle atuava como defensora de direitos humanos, com pautas voltadas ao combate ao racismo estrutural, à violência policial e à discriminação. Para os especialistas, a vereadora teria sido alvo de discriminação interseccional envolvendo raça, classe, gênero e orientação sexual.

    O comunicado também aponta que o tempo decorrido até a fase atual do processo — oito anos — é considerado preocupante.

    Julgamento no STF

    O caso será analisado pela Primeira Turma do STF, com sessões previstas para esta terça-feira (24) e quarta-feira (25). O relator é o ministro Alexandre de Moraes.

    Respondem ao processo:

    • Domingos Brazão
    • Chiquinho Brazão
    • Rivaldo Barbosa
    • Ronald Paulo de Alves
    • Robson Calixto Fonseca

    Embora crimes dolosos contra a vida sejam, em regra, julgados pelo Tribunal do Júri, o processo permaneceu no STF porque um dos acusados exercia mandato parlamentar à época dos fatos.

    Avanços e desafios

    Em 2024, a ONU já havia se manifestado positivamente sobre a condenação dos executores do crime, mas reforçou que a responsabilização dos mandantes é etapa essencial para a conclusão do caso.

    As investigações da Polícia Federal apontam que o assassinato estaria relacionado à atuação política de Marielle em temas ligados a disputas fundiárias e áreas sob influência de milícias no Rio de Janeiro.

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