• Câncer de pulmão cresce em São Luís e afeta moradores da Vila Embratel, aponta pesquisa

     

    Câncer de pulmão cresce em São Luís, especialmente na Vila Embratel, associado à poluição do ar e à falta de medidas eficazes de controle.
    Câncer de pulmão cresce em São Luís, especialmente na Vila Embratel, associado à poluição do ar e à falta de medidas eficazes de controle.

    A pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais do curso de Geografia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) revelou um aumento alarmante dos casos de câncer de pulmão em São Luís. O levantamento, que analisou 2.251 internações e 696 mortes por câncer de pulmão entre 2000 e 2024, apontou que bairros como Vila Embratel, Centro e Turu concentram o maior número de pacientes diagnosticados, com destaque para a Vila Embratel, que registra o maior número de óbitos.

    O estudo revela que, em 2023, houve o maior pico de internações, com 181 casos, o que representa um aumento significativo em comparação com o ano de 2000. As mortes também cresceram, com 70 óbitos registrados no mesmo ano.

    🏥 O impacto da poluição no aumento do câncer

    A Vila Embratel, localizada na região do Itaqui-Bacanga, foi identificada como uma das áreas com maior número de internações e óbitos por câncer de pulmão. Isso tem gerado preocupação, já que o bairro fica próximo ao Distrito Industrial e ao Porto do Itaqui, áreas com altos índices de poluição do ar devido à intensa atividade industrial.

    A exposição prolongada à poluição do ar tem sido associada ao aumento de doenças respiratórias, incluindo o câncer de pulmão. Moradores da região, como a pescadora Maria do Carmo, relatam que o aumento dos casos de câncer na comunidade é notável, com vários amigos e familiares sendo vítimas da doença. Além disso, Lídia Costa, outra moradora, afirma que a poluição está afetando até a vegetação local, com plantas morrendo devido à poluição atmosférica.

    🌫️ Relação entre poluição e doenças respiratórias

    Especialistas como o pneumologista Pedro Springer destacam que cidades e regiões com altos índices de poluição são fatores de risco para o desenvolvimento de doenças respiratórias graves, especialmente o câncer de pulmão. Segundo o especialista, a exposição constante a poluentes aumenta as chances de complicações respiratórias e desenvolvimento de tumores pulmonares.

    O estudo também aponta que a falta de medidas eficazes para reduzir a poluição na região do Itaqui-Bacanga contribui diretamente para o aumento dos casos de câncer, com a população exposta a níveis elevados de poluentes sem o devido controle.

    🏥 Impacto nos hospitais e sistema de saúde

    O levantamento aponta que os hospitais Aldenora Bello e Hospital de Oncologia do Maranhão Dr. Tarquínio Lopes Filho foram os que mais registraram internações e óbitos relacionados ao câncer de pulmão entre 2000 e 2024. Esses hospitais são os principais centros de referência no tratamento do câncer no estado, mas a alta demanda e o número crescente de casos tem sobrecarregado o sistema de saúde local.

    A falta de políticas públicas eficazes para controlar a poluição e oferecer um suporte adequado ao tratamento de câncer tem sido apontada como um dos principais desafios enfrentados pelos profissionais de saúde.

    📣 Ação governamental e medidas de fiscalização

    A Secretaria de Meio Ambiente do Maranhão (Sema) informou que monitora a qualidade do ar na região do Itaqui-Bacanga, incluindo a área ao redor da Camboa dos Frades, e realiza fiscalização contínua nas empresas licenciadas na região. No entanto, o advogado Guilherme Zagalo, especialista em Direito Ambiental, criticou a falta de medidas efetivas para restringir atividades industriais durante os períodos de piora na qualidade do ar.

    A Sema explicou que as ações de fiscalização são realizadas dentro dos parâmetros legais, mas reconheceu que as análises epidemiológicas, como as feitas pelo estudo da UFMA, são necessárias para entender a relação entre a poluição e o aumento das doenças respiratórias, especialmente o câncer de pulmão.

    📊 O que pode ser feito para combater o problema?

    Especialistas e autoridades locais concordam que o combate à poluição atmosférica deve ser uma prioridade, especialmente nas regiões industriais de São Luís. Algumas das medidas sugeridas incluem:

    • Aumento da fiscalização ambiental nas áreas industriais
    • Suspensão temporária de atividades industriais durante períodos críticos de poluição
    • Promoção de campanhas educativas para alertar a população sobre os riscos da exposição à poluição do ar
    • Melhorias na qualidade do ar por meio de investimentos em tecnologias limpas para as indústrias

    🔮 O caminho a seguir

    A pesquisa realizada pela UFMA é um alerta importante sobre a relação entre a poluição e o câncer de pulmão em São Luís, principalmente em áreas como a Vila Embratel e o Itaqui-Bacanga. Enquanto as autoridades locais monitoram a qualidade do ar, a sociedade exige ações mais concretas para combater a poluição e oferecer um ambiente mais saudável para os cidadãos.

    O estudo também pode ajudar a orientar políticas públicas de saúde, oferecendo uma base sólida para ações voltadas ao controle de doenças respiratórias e ao combate à poluição no Maranhão.

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