
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual do Maranhão (Uema) está investigando o potencial do inseto Tenebrio molitor como fonte alternativa de proteína para a alimentação humana. O estudo é coordenado pela professora Gislane da Silva Lopes, do Centro de Ciências Agrárias da instituição, e integra iniciativas que buscam soluções sustentáveis diante da crescente demanda global por alimentos.
O projeto foi desenvolvido no âmbito da iniciação científica pela estudante Emanuelle Cristine Mendes Dutra, durante a graduação em Agronomia Bacharelado. A pesquisa contou com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema).
Insetos como fonte de proteína sustentável
O consumo de insetos, prática conhecida como entomofagia, já integra a cultura alimentar de diversas regiões do mundo. Embora ainda seja pouco comum em países ocidentais, a tendência vem crescendo impulsionada por três fatores principais:
- Alto valor nutricional
- Baixo impacto ambiental
- Elevada eficiência de conversão alimentar
Entre as espécies estudadas globalmente, o Tenebrio molitor — popularmente chamado de larva-da-farinha — se destaca pelo elevado teor proteico, ciclo de vida curto e capacidade produtiva em larga escala.
As larvas da espécie foram as primeiras autorizadas para consumo humano na União Europeia, consolidando seu reconhecimento como alternativa alimentar segura e promissora.
Objetivo da pesquisa: reduzir custos sem perder qualidade
O foco do estudo da Uema foi avaliar como diferentes dietas influenciam o desenvolvimento das larvas e pupas do inseto.
A principal variável analisada foi a substituição parcial do farelo de trigo por farelo de milho, estratégia que pode reduzir custos de produção sem comprometer a qualidade nutricional ou estrutural dos insetos.
Durante o experimento, foram avaliados:
- Tempo de desenvolvimento larval
- Duração da fase de pupa
- Peso das pupas
- Comprimento e espessura
Resultados apontam viabilidade produtiva e econômica
Os dados indicaram que a inclusão de milho na dieta reduziu significativamente o tempo de desenvolvimento das larvas.
- Dieta 100% farelo de trigo: cerca de 145 dias
- Dietas com inclusão de milho: entre 126 e 132 dias
Apesar da redução no tempo de crescimento, não houve prejuízo nas características físicas avaliadas, como peso e espessura das pupas.
O resultado sugere viabilidade produtiva e econômica, fator essencial para que a proteína de insetos possa competir com modelos tradicionais de produção animal.
Versatilidade: estudo também investiga biodegradação de plástico
Segundo a professora Gislane da Silva Lopes, o potencial do Tenebrio molitor vai além da alimentação humana.
Atualmente, a equipe também investiga a capacidade do inseto na biodegradação de plástico, o que pode representar alternativa inovadora para ciclagem de nutrientes e redução de resíduos.
A versatilidade da espécie amplia seu interesse científico tanto na área alimentar quanto ambiental.
Crescente demanda global por novas proteínas
O estudo se insere em um contexto de pressão crescente sobre os sistemas tradicionais de produção de carne bovina, suína e de aves.
A criação de insetos apresenta vantagens estratégicas:
- Menor emissão de gases de efeito estufa
- Menor consumo de água
- Necessidade reduzida de espaço
- Alta eficiência alimentar
No Brasil, já existem produtores especializados na criação de insetos como grilos e baratas dentro de padrões sanitários específicos para produção de proteína.
A diversificação de fontes alimentares é considerada essencial para garantir segurança alimentar nas próximas décadas.
Reconhecimento científico e projeção regional
Em 2025, a pesquisa foi selecionada pela Fapema para integrar o estande de apresentação na:
- 4ª Feira Nordestina da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Fenafes)
- 3ª Feira Maranhense da Agricultura Familiar (Femaf)
O reconhecimento reforça a relevância científica e social do estudo para o Maranhão e para o debate nacional sobre sustentabilidade alimentar.
Para a estudante Emanuelle Cristine Mendes Dutra, a experiência marcou sua trajetória acadêmica e evidenciou o papel transformador da ciência aplicada.
O futuro da proteína pode estar nos insetos?
Especialistas internacionais apontam que a proteína de insetos pode se tornar parte estratégica da alimentação global, especialmente em produtos processados como farinhas proteicas, suplementos e ingredientes funcionais.
O estudo da Uema posiciona o Maranhão dentro de uma discussão científica de alcance global, conectando inovação, sustentabilidade e segurança alimentar.
A pesquisa sobre Tenebrio molitor como proteína sustentável reforça que o futuro da alimentação pode exigir menos impacto ambiental e mais eficiência produtiva — e os insetos podem ser parte dessa solução.
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