• Partido dos Trabalhadores aciona Tribunal Superior Eleitoral contra Flávio Bolsonaro por propaganda antecipada

    O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou, nesta sexta-feira (20/2), cinco ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusando o senador Flávio Bolsonaro (PL) de realizar propaganda eleitoral antecipada negativa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Segundo o partido, publicações feitas por Flávio nas redes sociais teriam o objetivo de “macular a imagem” de Lula antes do período oficialmente permitido para campanha eleitoral.

    A ofensiva judicial ocorre em meio à repercussão de um desfile em homenagem ao presidente realizado pela escola de samba Acadêmicos de Niterói, no Rio de Janeiro.

    Vídeo com inteligência artificial vira centro da polêmica

    O ponto central das ações é um vídeo publicado por Flávio no domingo (15/2), no qual aparece uma versão criada por inteligência artificial de um desfile intitulado “Bloco do Luladrão”.

    Para o PT, o conteúdo configura propaganda eleitoral antecipada negativa, ao associar o nome do presidente a críticas com potencial de influenciar o eleitorado antes do início oficial da campanha.

    O partido sustenta que a publicação ultrapassa os limites da liberdade de expressão e entra no campo da propaganda irregular.

    Distribuição de adesivos e outdoor também são questionados

    Uma das ações também envolve o ex-ministro do Turismo Gilson Machado, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Segundo a representação, houve distribuição em massa de adesivos com a frase “O Brasil está com Flavio Bolsonaro 2026” durante o Carnaval, além da divulgação de outdoor com caráter eleitoral.

    O próprio Gilson Machado publicou vídeos nas redes sociais mostrando a distribuição do material.

    Para o PT, a divulgação antecipada de material com menção direta a 2026 caracteriza pedido implícito de voto e afronta as regras da legislação eleitoral.

    Romeu Zema também entra na mira

    Em outra ação protocolada no TSE, o partido incluiu publicações atribuídas ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema.

    De acordo com o PT, conteúdos divulgados pelo governador teriam atacado a imagem de Lula com informações consideradas falsas ou descontextualizadas.

    O que diz a legislação

    A legislação eleitoral brasileira proíbe propaganda antes do período oficialmente autorizado. A jurisprudência do TSE, no entanto, diferencia manifestações políticas genéricas de pedidos explícitos de voto.

    O tribunal deverá avaliar se houve:

    • Pedido direto ou indireto de voto;
    • Uso de meios de grande alcance para antecipar campanha;
    • Ofensa à honra ou divulgação de conteúdo sabidamente inverídico.

    Caso entenda que houve irregularidade, o TSE pode aplicar multa ou determinar retirada das publicações.

    Clima pré-eleitoral esquenta

    A movimentação judicial ocorre em um ambiente de crescente tensão política nas redes sociais, onde disputas narrativas têm antecedido o calendário oficial das campanhas.

    Com 2026 no horizonte, partidos ampliam a vigilância sobre adversários, especialmente em temas de alto alcance digital como uso de inteligência artificial e impulsionamento de conteúdos.

    O julgamento das ações poderá estabelecer novo parâmetro sobre os limites entre crítica política e propaganda eleitoral antecipada na era digital.

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