
SÃO LUÍS – Em uma situação que comoveu a população maranhense, 23 periquitos-rei (Eupsittula aurea), das 27 aves resgatadas com vida, seguem em tratamento no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetas), em São Luís, após um incidente ocorrido em Lajeado Novo, município localizado no interior do Maranhão. No total, cerca de 350 aves morreram devido à queda de um eucalipto de aproximadamente 32 metros de altura, deixando um cenário trágico para a fauna local.
A Tragédia: O Acidente e o Resgate das Aves
O acidente aconteceu quando o grande eucalipto caiu repentinamente, afetando a colônia de periquitos-rei, uma espécie conhecida pela sua coloração vibrante e presença nas áreas do Maranhão. As aves que sobreviveram à queda foram rapidamente resgatadas por equipes locais, com a ajuda de voluntários, e encaminhadas ao Cetas, onde começaram a receber cuidados médicos especializados.
O coordenador do Cetas, Roberto Veloso, informou que o estado de saúde das aves é estável, mas, como esperado, os periquitos chegaram ao centro com lesões traumáticas, fraturas e casos de desenluvamento, um quadro raro em que a pele é arrancada do corpo, comumente devido à força do impacto.
Primeiros Cuidados e Estabilização
Após o resgate, as aves foram levadas para São Luís, passando por atendimento emergencial nas primeiras horas. Segundo o médico-veterinário e professor da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul), Leonardo Moreira, os periquitos foram inicialmente organizados de acordo com a gravidade das lesões. As fraturas foram imobilizadas e as aves receberam hidratação e medicamentos para controle da dor. O processo de estabilização é crucial, pois as aves enfrentam risco de hipotermia, desidratação e até infecções.
Após a estabilização inicial, os periquitos foram encaminhados para a fase de quarentena no Cetas, onde ficaram sob observação constante. Esse processo visa monitorar a evolução do quadro clínico e garantir que as aves não apresentem sinais de infecções ou complicações adicionais.
Tratamento e Acompanhamento: Triagem e Cuidados Médicos
A triagem clínica realizada na chegada ao Cetas permitiu que a equipe determinasse as necessidades específicas de cada animal. O centro conta com uma equipe multidisciplinar composta por biólogos, médicos-veterinários, engenheiros agrônomos e zootecnistas, sendo responsável pela recuperação das aves resgatadas. Após a quarentena, os periquitos passaram por exames clínicos completos e, nos casos mais graves, foram encaminhados para procedimentos cirúrgicos.
Os periquitos apresentaram múltiplas fraturas e alguns sinais de hipovolemia, uma condição em que o volume sanguíneo está reduzido. Esses problemas exigem um acompanhamento contínuo e cuidado constante, principalmente durante o período de estabilização.
Reabilitação e Recuperação: Caminho para a Soltura
Com o progresso das aves e a estabilização de suas condições, elas foram transferidas para recintos de manutenção, onde terão acesso a espaço maior e liberdade para exercitar suas habilidades motoras. Esse processo é fundamental, pois permite que elas fortaleçam os músculos e voltem a comportamentos naturais, o que será essencial para sua reabilitação.
Nos corredores de voo, as aves passarão a treinar suas habilidades motoras antes de serem finalmente levadas para a última fase do tratamento: a soltura. O Cetas disponibiliza viveiros maiores para a fase de aclimatação, onde as aves recuperarão força, comportamento natural e habilidades essenciais para sobreviver sem assistência humana.
Após a adaptação nos viveiros, as aves serão monitoradas e, finalmente, devolvidas ao seu habitat natural em uma área adequada para a soltura. O objetivo é garantir que os periquitos possam voltar a viver de forma independente e saudável, sem os impactos causados pelo acidente.
Cetas: Um Centro de Recuperação Essencial para a Fauna Maranhense
O Cetas de São Luís desempenha um papel crucial na proteção e recuperação da fauna local, acolhendo e tratando centenas de animais silvestres anualmente. Em 2025, o centro recebeu cerca de 2,2 mil animais silvestres e tem se tornado cada vez mais importante para a preservação da biodiversidade do estado.
O tratamento dos periquitos-rei é apenas um exemplo de como o centro atua no cuidado de espécies que, de outra forma, poderiam não sobreviver a situações extremas, como o que ocorreu em Lajeado Novo. A equipe do Cetas, que é formada por profissionais especializados, realiza um trabalho meticuloso para garantir a reabilitação e a recuperação desses animais.
A Importância da Preservação e a Riqueza da Fauna Maranhense
Este episódio, embora trágico, também serve como um lembrete da fragilidade da fauna local e da importância da preservação ambiental. O periquito-rei é uma das várias espécies que habitam as áreas do Maranhão, e os esforços para resgatar e reabilitar essas aves destacam a importância do trabalho contínuo de entidades como o Cetas e outras organizações de preservação.
A história dos 23 periquitos-rei resgatados, agora em recuperação, é um símbolo da resiliência da vida selvagem e da necessidade de cuidar da biodiversidade de forma consciente. Com cada animal recuperado, há uma chance de restaurar o equilíbrio ambiental e devolver essas espécies à natureza, onde pertencem.
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