• “Bobos da corte”: Rachel Sheherazade critica a mídia após Virginia Fonseca ser chamada de “mulher mais relevante”

    Rachel Sheherazade critica a escolha de Virginia Fonseca como "mulher mais relevante", denunciando como a mídia ignora mulheres extraordinárias no Brasil.
    Rachel Sheherazade critica a escolha de Virginia Fonseca como “mulher mais relevante”, denunciando como a mídia ignora mulheres extraordinárias no Brasil.

    A influenciadora Virginia Fonseca, que recentemente assumiu o posto de rainha de bateria da Grande Rio no Carnaval de 2026, foi chamada de “mulher mais relevante do Brasil” em uma reportagem publicada na imprensa. A afirmação gerou uma onda de críticas, e uma das mais contundentes veio da jornalista Rachel Sheherazade, conhecida por seu estilo direto e opiniões fortes. Em um desabafo nas redes sociais, Sheherazade não poupou palavras para criticar a escolha de Virginia, chamando a atenção para o papel da mídia na construção de “personalidades” e, principalmente, no rebaixamento da contribuição de mulheres verdadeiramente relevantes na sociedade.

    O desabafo de Rachel Sheherazade

    O ponto de partida para o desabafo de Sheherazade foi uma publicação da revista Veja, que colocou Virginia Fonseca no centro das atenções ao afirmá-la como a mulher mais relevante do Brasil. Segundo a jornalista, o espaço generosamente dado a uma influenciadora de jogos de azar, como Virginia, é um reflexo do quanto a mídia tem manipulado as preferências e prioridades da sociedade. Em seu post, Rachel não escondeu a indignação: “Quando uma revista divulga que a mulher mais relevante do país é uma influenciadora de jogos de azar, ela rebaixa todas as mulheres brasileiras”, afirmou.

    A jornalista continuou criticando o papel da mídia na escolha de quem merece destaque: “A mídia é quem dita o que ou quem é relevante, quem merece espaço no horário nobre, que conteúdo deve ser discutido, e o que deve ser ignorado. As vozes que deveriam ser exaltadas estão sendo marginalizadas.”

    A crítica à superficialidade da mídia

    Rachel Sheherazade não se limitou a criticar a escolha de Virginia Fonseca. Ela denunciou a superficialidade da mídia brasileira ao promover figuras públicas baseadas em características físicas e status temporários, como a estética e a popularidade gerada pelas redes sociais, em detrimento de mulheres com contribuições reais e significativas para a sociedade.

    “Os ‘bobos da corte’ estão sendo exaltados enquanto as verdadeiras mulheres brilhantes, com trabalho relevante e impacto na sociedade, estão sendo ignoradas. A mídia insiste em coroar pessoas que são reconhecidas apenas por sua aparência e status momentâneo, e não por suas qualidades intelectuais ou conquistas,” disparou Sheherazade.

    A jornalista ainda fez uma comparação entre a celebridade da internet e mulheres que estão fazendo a diferença em áreas como ciência, tecnologia, medicina e política. Em um tom de frustração, ela questionou: “Será que a sociedade vai continuar aplaudindo pessoas que geram entretenimento barato, enquanto mulheres como Tatiana Sampaio, cientista brasileira, ficam fora dos holofotes?”.

    O caso de Tatiana Sampaio: uma mulher verdadeiramente relevante

    Em seu desabafo, Rachel Sheherazade mencionou a cientista Tatiana Sampaio, que está conduzindo uma pesquisa inovadora sobre a recuperação de movimentos em pessoas com lesões medulares. Sheherazade ressaltou o feito incrível de Tatiana, que poderia até render-lhe um Prêmio Nobel de Medicina. Apesar dessa contribuição monumental para a ciência e para a vida de tantas pessoas, a mídia brasileira pouco a menciona, e Sheherazade fez questão de destacar a importância de dar visibilidade a essas mulheres, que de fato estão mudando o mundo.

    “Mulheres extraordinárias como Tatiana Sampaio, que estão fazendo descobertas que podem transformar vidas e até revolucionar o campo da medicina, são mantidas à margem. A mídia preferiu esconder suas histórias, pois essas mulheres, independentes e intelectuais, podem inspirar outras a buscar o conhecimento, a independência, e a libertação de uma sociedade que ainda insiste em subestimar o poder da mulher”, desabafou a jornalista.

    Rachel seguiu com sua crítica, afirmando que a mídia brasileira teme a força dessas mulheres que desafiam os padrões e os limites impostos pela sociedade patriarcal. Ela argumentou que, ao exaltar influenciadoras de redes sociais que promovem comportamentos questionáveis, como o incentivo a jogos de azar, a mídia não só está empobrecendo o conteúdo cultural, mas também prejudicando o avanço da causa feminina.

    O papel da mídia na construção de “personalidades” e o impacto na sociedade

    A jornalista também refletiu sobre o poder da mídia na construção de “personalidades” que, ao invés de promover valores construtivos, perpetuam modelos vazios e superficiais. Para Sheherazade, a promoção de figuras como Virginia Fonseca é um reflexo do interesse das grandes empresas de comunicação em vender um estilo de vida superficial, que não exige profundidade intelectual, nem compromisso com causas relevantes.

    “É lamentável que a mídia não esteja investindo em divulgar as mulheres que realmente têm algo a dizer, que estão trazendo inovação, que estão moldando o futuro do Brasil. E, no entanto, temos todos os dias essa celebração de figuras públicas cuja relevância se baseia apenas em sua popularidade momentânea nas redes sociais. O que isso está ensinando para as futuras gerações de mulheres?”, questionou a jornalista.

    Ela seguiu com sua análise, destacando que esse tipo de modelo midiático, que favorece influenciadoras com uma agenda duvidosa, está prejudicando as mulheres em um nível mais profundo, criando um espaço onde apenas aqueles que se encaixam em um estereótipo de beleza ou comportamento recebem os holofotes.

    O impacto na representação feminina

    Sheherazade também falou sobre como esse tipo de promoção errada de figuras femininas influencia diretamente na percepção da sociedade sobre o papel da mulher. Ela observou que, ao elevar essas influenciadoras à categoria de “mulheres mais relevantes”, a sociedade está sinalizando que o valor de uma mulher está atrelado apenas à sua aparência, seu corpo ou sua popularidade momentânea, ao invés de sua contribuição real para a sociedade.

    A jornalista concluiu seu desabafo com um apelo à mudança: “Nós precisamos de uma mídia que exalte as mulheres em todos os campos de conhecimento, que valorize o que realmente importa, que mostre que ser mulher é ser mais do que um rosto bonito e um corpo sarado. Ser mulher é ser intelectual, é ser científica, é ser líder, é ser uma voz ativa na luta pela mudança.”

    A repercussão nas redes sociais

    Após o desabafo de Sheherazade, a internet foi tomada por reações diversas. A crítica da jornalista gerou uma grande discussão nas redes sociais sobre os padrões que a mídia impõe às mulheres e sobre o que significa ser “relevante” no Brasil. Muitos seguidores apoiaram a jornalista, destacando a importância de dar visibilidade a mulheres que estão realmente fazendo a diferença, enquanto outros, principalmente os defensores de Virginia Fonseca, reagiram à crítica, defendendo que a influenciadora também tem seu valor na sociedade.

    Esse episódio revelou, mais uma vez, a divisão de opiniões sobre os modelos midiáticos no Brasil e sobre o papel da mulher em uma sociedade que ainda luta contra muitos estereótipos e padrões de beleza impostos pela cultura popular. O debate gerado por Rachel Sheherazade, no entanto, trouxe à tona uma reflexão importante sobre o que realmente deve ser considerado “relevante” na sociedade contemporânea e quais são os critérios que devemos usar para valorizar as mulheres em nossa cultura.

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