• Justiça autoriza retorno de moradores à Vila Maranhão, mas impõe novas exigências à empresa responsável por vazamento

    Justiça condiciona retorno de moradores à Vila Maranhão ao cumprimento de novas medidas ambientais
    Justiça condiciona retorno de moradores à Vila Maranhão ao cumprimento de novas medidas ambientais (Foto: Reprodução/TV Mirante)

    Cerca de 300 moradores da Vila Maranhão, em São Luís, poderão retornar às suas casas a partir desta quinta-feira (20), após semanas fora da área devido a um vazamento de fertilizantes. No entanto, o retorno está condicionado ao cumprimento integral das determinações judiciais impostas à empresa responsável, a Valen Fertilizantes e Armazéns Ltda.

    A decisão foi debatida em audiência realizada no Fórum Sarney Costa, que reuniu representantes das famílias atingidas, Ministério Público, Defesa Civil, procuradores do Estado e do Município, além de técnicos das secretarias de Meio Ambiente e da própria empresa.

    Ao todo, 77 famílias foram diretamente afetadas pela contaminação ambiental.

    Novas exigências impostas à empresa

    A Justiça determinou que a empresa só poderá retomar atividades se cumprir uma série de medidas ambientais e estruturais.

    Entre as principais exigências estão:

    • Operação apenas em área interna e totalmente coberta
    • Implantação de sistemas de contenção de resíduos
    • Instalação de estação de tratamento e decantação
    • Reforço no fornecimento de água potável e água mineral às famílias

    Além disso, a empresa deverá dobrar a quantidade de caixas d’água disponibilizadas aos moradores afetados.

    Uma nova audiência foi marcada para daqui a 30 dias. Nela, Ministério Público, Estado, Município, empresa e comunidade deverão apresentar estimativas de danos ambientais e discutir eventual acordo definitivo.

    Relatos de problemas de saúde e impacto ambiental

    Os moradores foram obrigados a deixar suas casas após relatarem forte odor químico e sintomas como:

    • Coceiras na pele
    • Agravamento de problemas respiratórios
    • Desconforto constante
    • Alteração na cor da água, com tonalidade esverdeada
    • Poeira frequente e manchas na vegetação

    A retirada emergencial ocorreu após laudos técnicos apontarem risco ambiental ativo na região.

    Relatórios confirmaram contaminação

    O caso chegou ao Ministério Público do Maranhão após denúncias de vazamento de sulfato de amônia e ureia. Relatório técnico da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) confirmou que maquinários recém-adquiridos estavam expostos sem proteção adequada.

    Com as chuvas, o material foi carregado para fora do terreno da empresa, espalhando-se pela comunidade.

    O documento apontou contaminação hídrica e recomendou a retirada imediata dos moradores até a remoção completa do produto.

    A Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação (Semurh) também constatou que a empresa realizava obra de grande porte sem alvará e que a canaleta de águas pluviais funcionava como vetor direto de poluição.

    Decisão judicial e medidas emergenciais

    A Vara de Interesses Difusos e Coletivos determinou que a empresa:

    • Realocasse as famílias em até 24 horas
    • Custasse hospedagem por, no mínimo, 30 dias
    • Fornecesse água potável em quantidade adequada
    • Disponibilizasse equipe multidisciplinar com médicos e psicólogos
    • Custasse exames clínicos e toxicológicos
    • Instalasse barreiras físicas
    • Apresentasse plano de contingência

    A empresa está proibida de retomar atividades relacionadas a fertilizantes sem autorização dos órgãos competentes.

    Retirada do material e nova vistoria

    Equipes técnicas acompanham a retirada do material contaminado. Segundo a Sema, o odor dos fertilizantes já não está mais ativo na região.

    Nova vistoria deve avaliar se as condições ambientais permitem o retorno seguro das famílias.

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