O São Paulo viveu, no Morumbis, um daqueles jogos que mudam o clima de uma temporada. Mesmo sem apresentar um futebol brilhante durante os 90 minutos, o Tricolor mostrou poder de reação, corrigiu erros em tempo hábil e conquistou uma virada fundamental diante do Primavera, resultado que recoloca o clube na disputa direta por uma vaga no G-8 do Campeonato Paulista. O grande nome da noite foi Lucas Moura, que voltou a atuar em alto nível e assumiu o protagonismo quando o time mais precisava.
Primeiro tempo expõe falhas táticas e pouca criatividade
A etapa inicial foi marcada por um São Paulo pouco fluido e com dificuldades evidentes de construção. A proposta de Hernán Crespo apostava em Lucas e Ferreirinha atuando mais centralizados, deixando a responsabilidade da amplitude para os laterais. Na prática, a ideia não funcionou. Cédric e Enzo Díaz, com características mais defensivas, não conseguiram apoiar com eficiência, e o time ficou previsível, concentrando jogadas pelo meio e facilitando a marcação adversária.
Mesmo com lampejos de qualidade de Lucas, que buscava o jogo e tentava acelerar as ações, o Tricolor criou pouco. A circulação lenta da bola e a dificuldade para infiltrar resultaram em um primeiro tempo abaixo do esperado, mantendo o placar zerado, mas deixando claro que o desempenho precisava mudar.
Gol sofrido e mudança de postura no segundo tempo
O início da segunda etapa foi um choque de realidade. Com o São Paulo ainda desorganizado, o Primavera aproveitou espaços e abriu o placar, colocando pressão total sobre o time da casa. O gol expôs fragilidades defensivas e aumentou a tensão no Morumbis.
A resposta veio rapidamente do banco. Crespo reconheceu o erro na montagem inicial e passou a mexer de forma mais agressiva. A entrada de Luciano deu mais presença ofensiva, mesmo ao custo de maior exposição defensiva. Na sequência, o treinador promoveu mudanças decisivas, lançando Calleri, Danielzinho e o estreante Lucas Ramon, alterando completamente a dinâmica do jogo.
Substituições mudam o jogo e Lucas decide
Com as mudanças, o São Paulo passou a ocupar melhor o campo adversário, ganhou intensidade e encontrou alternativas pelos lados. O empate nasceu exatamente dessa nova configuração: Calleri brigou pela bola no limite da defesa, Lucas Ramon teve leitura rápida para manter a jogada viva e Danielzinho encontrou Lucas em posição ideal. O camisa 7 finalizou com precisão, marcando um gol que simbolizou não apenas o empate, mas a retomada da confiança da equipe.
O Tricolor seguiu em cima, empurrado pela torcida e pelo crescimento coletivo. Pouco depois, Luciano sofreu falta dentro da área após disputa com Renato Vischi. O VAR confirmou o pênalti, e Calleri converteu com tranquilidade, decretando a virada e mudando completamente o panorama da partida.
Vitória que vale mais do que três pontos
O resultado representa muito mais do que uma simples vitória na tabela. Lucas teve sua atuação mais consistente em muito tempo, deixando para trás um período marcado por lesões e irregularidade. Crespo, embora tenha errado na escalação inicial, mostrou capacidade de leitura e coragem para corrigir o rumo da partida, algo que vinha sendo questionado em jogos anteriores.
Com os três pontos, o São Paulo ganha fôlego, entra de vez na briga por classificação e muda o ambiente interno. Ainda há ajustes a serem feitos, principalmente no equilíbrio defensivo e na criação ofensiva desde o início dos jogos. No entanto, a postura do segundo tempo aponta um caminho mais competitivo para a sequência do Paulistão.
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