
A lavradora maranhense Maria Divina dos Santos ainda revive, com emoção e dor, os momentos que antecederam e sucederam o grave acidente envolvendo um ônibus de trabalhadores rurais na BR-153, em São Paulo. O veículo transportava mais de 40 pessoas do Maranhão com destino a Santa Catarina, onde o grupo trabalharia na colheita de maçãs.
A tragédia deixou sete maranhenses mortos. Maria Divina e o marido sobreviveram.
“A gente foi pensando em realizar um sonho”
Moradora da Vila Conceição, em Imperatriz, Maria Divina viajava acompanhada do filho, do enteado e de outros moradores da comunidade. O grupo seguia em busca de uma oportunidade de trabalho temporário no Sul do país.
Além de atuar na colheita, ela também seria responsável pela preparação das refeições para os trabalhadores.
“A gente foi pensando em realizar um sonho e aconteceu tudo isso, toda essa tragédia. Era para a gente colher a maçã, eu ia classificar e fazer comida”, relembra, visivelmente emocionada.
Todos os trabalhadores maranhenses viviam da colheita de açaí na região de Imperatriz e viam na viagem uma chance de aumentar a renda.
Momento de desespero dentro do ônibus
Durante o acidente, Maria Divina quebrou a janela do ônibus para retirar o marido e escapar do veículo. A ação deixou ferimentos em suas mãos.
“Agradecer a Deus por nós estarmos vivos. Ao mesmo tempo, a gente fica triste pelos nossos amigos, pelos outros que morreram”, afirmou.
O acidente ocorreu na BR-153, uma das principais rodovias federais do país, e mobilizou equipes de resgate da região. As circunstâncias da colisão seguem sob apuração das autoridades paulistas.
Vítimas e luto nas comunidades do Maranhão
Entre as vítimas fatais estavam moradores da Vila Conceição e de outros municípios maranhenses.
Dois dos mortos que viviam na Vila Conceição foram identificados como Gonçalo Lisboa, de 32 anos, que morreu no local do acidente, e Santana Barros, de 30 anos, que faleceu no hospital um dia depois.
Os corpos foram velados na sede da Associação dos Lavradores e Moradores da Vila Conceição II. Gonçalo foi sepultado na quinta-feira (19) e Santana na sexta-feira (20), ambos em cemitério da própria comunidade.
Outro morador da Vila Conceição, Jonas da Costa Silva, de 21 anos, segue internado na UTI do Hospital das Clínicas, em Marília (SP).
Corpos chegaram ao Maranhão
Os corpos dos sete maranhenses mortos chegaram ao estado na quinta-feira (19). Seis vítimas desembarcaram pela manhã em Santa Luzia do Paruá, enquanto a sétima chegou à noite. Todos já foram sepultados.
Quatro vítimas foram levadas para Presidente Médici, onde receberam homenagem em um ginásio municipal:
- Edilson da Silva Lima, 43 anos
- Antônio da Silva Nascimento, 47 anos
- José Milton Ribeiro Reis, 49 anos
- Robson Rodrigues Alexandrino, 25 anos
Já Raimundo Nonato Sousa da Silva, de 41 anos, foi sepultado em Araguanã.
Viagem custeada com adiantamento
De acordo com relatos dos trabalhadores, cada um recebeu R$ 1 mil de um representante da empresa para custear a viagem. O valor, no entanto, seria posteriormente descontado dos salários.
O episódio reacende o debate sobre as condições de transporte e contratação de trabalhadores rurais que deixam o estado em busca de oportunidades sazonais em outras regiões do país.
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