• Técnica do SAMU sofre AVC durante plantão e família denuncia omissão em São Luís

    A técnica de enfermagem Núbia Regina dos Santos Silva, de 59 anos, sofreu um AVC hemorrágico durante o plantão no SAMU de São Luís, e a família denuncia possível omissão por parte da gestão municipal.

    O caso teria ocorrido na madrugada do dia 17 para 18 de fevereiro, enquanto a profissional estava de serviço na unidade AMAR, vinculada ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.

    🔎 O que aconteceu durante o plantão

    Segundo a filha da técnica, Márcia Silva, Núbia recebeu um chamado para atender uma jovem baleada com traumatismo craniano.

    De acordo com o relato da família:

    • A técnica estaria sozinha na ocorrência;
    • Não teria sido enviada uma Unidade de Suporte Avançado (USA), que conta com médico;
    • Núbia realizou manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) sem apoio médico;
    • Após esforço intenso, caiu no chão e começou a convulsionar.

    Ela foi socorrida e diagnosticada com AVC hemorrágico.

    “Minha mãe é uma mulher de 59 anos. Ela estava sozinha. Não tinha unidade de suporte avançado. Eu não sei até onde vai a negligência”, afirmou a filha.

    📄 Divergência de horários e pedido de CAT

    A família afirma que solicitou ao SAMU a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) — documento que reconhece que o problema de saúde ocorreu durante o exercício da função.

    Segundo Márcia:

    • A CAT não foi emitida;
    • Foi fornecida apenas uma declaração simples;
    • O horário registrado no documento seria diferente do ocorrido.

    A ficha hospitalar aponta que Núbia deu entrada às 6h50 da manhã, enquanto colegas teriam informado que o mal súbito ocorreu entre 4h e 5h.

    A técnica trabalhou por cerca de 20 anos na instituição. A família afirma que atualmente arca sozinha com os custos do tratamento.

    “O município não arca com nada. Quem cuida dela é a família.”

    ⚠️ Denúncias sobre condições de trabalho no SAMU

    Além do caso da técnica, denúncias sobre a estrutura do serviço foram levadas ao Legislativo.

    Segundo o deputado estadual Yglésio Moyses, há relatos de:

    • Sobrecarga de trabalho
    • Baixos salários
    • Jornadas excessivas
    • Falta de estrutura adequada para descanso
    • Profissionais dormindo no chão
    • Problemas na escala de férias e 13º salário

    O parlamentar também mencionou suspeitas relacionadas à frota de ambulâncias.

    De acordo com ele, o município estaria operando com número reduzido de veículos e alterando identificação de ambulâncias para manter o cadastro de 12 unidades junto ao Ministério da Saúde e garantir repasses federais.

    As denúncias ainda devem ser apuradas.

    🏛️ O que diz a SEMUS

    Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SEMUS) informou que tem conhecimento do caso envolvendo a servidora, ocorrido em 18 de setembro de 2025 — data divergente da apresentada pela família.

    Segundo a pasta:

    • A servidora estava em escala regular;
    • A ambulância operava com tripulação padrão (condutor e técnico de enfermagem);
    • O acionamento de Unidade de Suporte Avançado segue critérios técnicos definidos pela Central de Regulação Médica.

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