
SÃO PAULO – A prisão de um tenente-coronel da Polícia Militar por suspeita de feminicídio reacende o debate sobre violência doméstica dentro das próprias forças de segurança.
O oficial Geraldo Leite Rosa Neto foi preso nesta quarta-feira (18) por agentes da Polícia Civil, após ser indiciado pela morte da própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde o casal vivia.
Prisão ocorreu em casa e investigação avança
A prisão aconteceu no início da manhã, em um imóvel localizado em São José dos Campos, no interior de São Paulo. O oficial foi conduzido para o 8º Distrito Policial, na capital, onde passará por interrogatório.
Após os procedimentos legais, ele deve ser encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes.
Laudos periciais levantam suspeitas
A mudança de rumo na investigação foi provocada por laudos técnicos que indicam inconsistências na versão inicial de suicídio.
Entre os principais pontos analisados estão:
- trajetória do disparo na cabeça da vítima
- profundidade dos ferimentos
- presença de sangue em diferentes cômodos do apartamento
De acordo com o delegado responsável, os elementos técnicos reforçam a hipótese de homicídio.
Intervalo para socorro levanta dúvidas
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi o tempo entre o disparo e o pedido de socorro.
Segundo depoimentos:
- o tiro foi ouvido por volta das 7h28
- a polícia foi acionada apenas às 7h57
O intervalo de quase 30 minutos levanta suspeitas sobre a dinâmica do ocorrido.
Cena do crime também é questionada
A investigação também apura possíveis irregularidades na preservação do local.
Testemunhas relataram que:
- a vítima foi encontrada com a arma na mão, o que não é comum em casos de suicídio
- policiais estiveram no apartamento horas depois para realizar limpeza do ambiente
Esses elementos podem indicar tentativa de alteração da cena do crime, o que motivou também o indiciamento por fraude processual.
Defesa mantém versão de suicídio
A defesa do tenente-coronel sustenta que a soldado tirou a própria vida e afirma que aguarda a conclusão definitiva dos laudos periciais.
Desde o início, no entanto, familiares de Gisele contestaram essa versão e pressionaram por uma investigação mais aprofundada.
Caso pode ter novos desdobramentos
A expectativa é que o Inquérito Policial Militar (IPM) seja concluído nos próximos dias, podendo trazer novos elementos sobre o caso.
A prisão do oficial marca uma reviravolta significativa e pode redefinir completamente a responsabilização criminal.
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