• Vazamento de fertilizantes causa problemas de saúde e força retirada de moradores na Vila Maranhão

    Moradores da Vila Maranhão relatam poeira constante, manchas na vegetação e alteração na cor da água após vazamento de fertilizantes.
    Moradores da Vila Maranhão relatam poeira constante, manchas na vegetação e alteração na cor da água após vazamento de fertilizantes.

    SÃO LUÍS – Um vazamento irregular de fertilizantes industriais provocou uma situação de emergência ambiental na Vila Maranhão, em São Luís, obrigando famílias a deixarem suas casas após o surgimento de problemas de saúde e risco de contaminação ambiental. Moradores relatam coceiras intensas na pele, agravamento de doenças respiratórias e forte desconforto causado pelo odor químico persistente na região.

    Além dos impactos diretos à saúde, a comunidade passou a conviver com poeira frequente, manchas visíveis na vegetação e alteração na coloração da água, que chegou a apresentar tom esverdeado. Diante do cenário, a Justiça reconheceu a existência de um desastre ambiental ativo e determinou a retirada emergencial dos moradores da área afetada.

    Riscos dos fertilizantes à saúde e ao meio ambiente

    De acordo com o geólogo Marcelino Farias, substâncias como sulfato de amônia e ureia, quando expostas de forma inadequada, podem liberar resíduos gasosos nocivos à saúde humana. Os efeitos, segundo ele, podem surgir tanto de forma imediata quanto ao longo do tempo, ampliando os riscos para populações expostas.

    Desastre ambiental leva MP a agir

    A decisão judicial atendeu a um pedido do Ministério Público do Maranhão, que reconheceu oficialmente o desastre ambiental na Vila Maranhão. A medida foi concedida após a confirmação técnica de contaminação ambiental por órgãos estaduais e municipais.

    Origem do vazamento

    Relatórios apontam que o vazamento teve origem em produtos químicos altamente poluentes — sulfato de amônia e ureia — pertencentes à empresa Valen Fertilizantes e Armazéns Ltda.. O material estava armazenado em maquinários recém-adquiridos, sem proteção adequada. Com as chuvas, os resíduos ultrapassaram os limites da empresa e se espalharam pela comunidade vizinha.

    O relatório técnico nº 10/2026 da Secretaria de Estado de Meio Ambiente identificou contaminação hídrica e recomendou expressamente a retirada das pessoas da área até a completa remoção do material tóxico, classificando a permanência dos moradores como insustentável e perigosa.

    Também foi constatado que a empresa realizava obra de grande porte sem alvará de construção. A intervenção foi embargada por indícios de risco à segurança, além da inexistência de tratamento adequado na canaleta de águas pluviais, que funcionava como vetor direto de poluição ambiental.

    Justiça determina retirada e assistência às famílias

    A Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís determinou que a empresa realoque, em até 24 horas, todas as famílias que vivem na área de risco, garantindo hospedagem em hotéis ou imóveis alugados pelo período mínimo de 30 dias. A delimitação da área afetada ficou sob responsabilidade da Defesa Civil e da Sema.

    A decisão também obriga o fornecimento imediato de água potável, além da disponibilização de uma equipe multidisciplinar — com médicos, psicólogos e assistentes sociais — e a realização de exames clínicos e toxicológicos nos moradores expostos.

    Outras medidas incluem a retirada imediata do maquinário contaminado, instalação de barreiras físicas em até 48 horas e apresentação de um plano de contingência em até 10 dias. A empresa está proibida de retomar qualquer atividade relacionada a fertilizantes sem autorização dos órgãos competentes.

    Monitoramento continua e nova vistoria

    Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, equipes técnicas seguem acompanhando a retirada e a destinação correta do material contaminado. Uma nova vistoria está prevista para esta terça-feira (10). De acordo com os técnicos, grande parte do material já foi removida e o odor dos fertilizantes não estava mais ativo durante a última inspeção.

    A empresa Valen Fertilizantes informou que não irá se pronunciar sobre o caso.

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