• Tribunal do Júri condena dupla a mais de 76 anos por assassinato ligado à guerra entre facções

    Tribunal do Júri condenou dois acusados por assassinato ocorrido em 2022 no bairro Roseana Sarney.
    Tribunal do Júri condenou dois acusados por assassinato ocorrido em 2022 no bairro Roseana Sarney.

    O Tribunal do Júri de São José de Ribamar condenou dois homens acusados de participação no assassinato de Gueris Mequias Cantanhede da Silva, crime ocorrido em maio de 2022 no bairro Roseana Sarney. A decisão foi proferida nessa quinta-feira (18) e resultou em penas que, somadas, ultrapassam 76 anos de prisão.

    Os condenados foram identificados como Magno Amorim dos Santos, conhecido como “Lafu”, e Joeliton de Jesus Araújo Fonseca, apelidado de “Guga”. Cada um recebeu pena de 38 anos, três meses e três dias de reclusão.

    Crime teria sido motivado por disputa territorial

    De acordo com o Ministério Público do Maranhão (MPMA), os réus possuem ligação com organizações criminosas que atuam na região metropolitana de São Luís.

    As investigações apontaram que o homicídio ocorreu em um contexto de disputa entre facções pelo controle de territórios e pontos relacionados ao tráfico de drogas.

    Embora a vítima não tivesse envolvimento com grupos criminosos, ela teria sido identificada pelos acusados como alguém ligado a uma área dominada por uma facção rival, o que teria motivado o ataque.

    Vítima foi assassinada após sair de uma festa

    Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Gueris Mequias foi abordado após deixar uma festa na madrugada de 2 de maio de 2022.

    Os dois condenados estariam acompanhados de outro acusado, que responde ao processo separadamente, além de comparsas ainda não identificados.

    Durante a ação criminosa, a vítima foi surpreendida e atingida por diversos disparos de arma de fogo.

    Conforme sustentado pela acusação, o primeiro tiro foi efetuado por Lafu na cabeça da vítima, após ela ter sido atraída ao local por Guga.

    Ministério Público sustentou homicídio qualificado

    Durante o julgamento, o promotor de Justiça José Márcio Maia Alves defendeu a condenação dos acusados por homicídio duplamente qualificado.

    As qualificadoras reconhecidas foram:

    • Motivo torpe;
    • Recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima.

    Além disso, também foram considerados os crimes de roubo majorado, furto qualificado e integração de organização criminosa.

    Todas as teses apresentadas pelo Ministério Público foram acolhidas integralmente pelo Conselho de Sentença.

    Facções ampliam sensação de insegurança

    Após o julgamento, o promotor destacou que casos semelhantes têm sido recorrentes em São José de Ribamar devido à atuação de grupos criminosos.

    Segundo ele, as disputas por territórios e pelo controle do tráfico de drogas geram impactos diretos na segurança da população e contribuem para o aumento da violência em diversas comunidades do município.

    Julgamento foi realizado pelo Tribunal do Júri

    A sessão foi presidida pela juíza Ana Gabriela Costa Ewerton.

    A defesa dos réus foi conduzida pelo defensor público José Maria Arcanjo Alves Filho.

    Com a condenação, os acusados passam a cumprir penas superiores a 38 anos de prisão cada um, enquanto o processo segue em relação ao terceiro investigado que responde separadamente pelos fatos.

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