• Rouco depois de Brasil x Japão? Especialista explica quando a garganta merece cuidados

    Depois do jogo emocionante entre Brasil e Japão, não foi difícil encontrar quem acordasse na manhã seguinte com a garganta arranhando ou a voz mais fraca. Afinal, entre gritos de tensão, torcida e, finalmente, comemoração, muita gente exigiu da voz muito mais do que o habitual. A situação está ainda pior para quem, no dia seguinte, precisa voltar à rotina de trabalho cheia de áudios, reuniões on-line, chamadas e mensagens instantâneas. Afinal, estamos usando bem a nossa voz?

    A fonoaudióloga Nara Ligia Mião Luchi Pereira, da Hapvida, aponta que a era digital trouxe agilidade, mas também distorções no uso da comunicação e, consequentemente, da voz. “Cada vez mais surgem ferramentas que prometem acelerar a troca de mensagens. Mas, muitas vezes, vemos uma falsa sensação de agilidade, com uso excessivo ou inadequado de recursos como áudios, especialmente no ambiente profissional”, explica.

    Segundo ela, o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é utilizada. “Nem sempre o áudio é a melhor opção. Em muitos casos, iniciar uma conversa por texto é mais eficiente. O áudio deve ser usado com critério. Curto, objetivo e dentro de um contexto já estabelecido”, orienta.

    SOBRECARGA

    Com a rotina cada vez mais conectada, a demanda vocal aumentou, principalmente para profissionais que utilizam a fala como principal ferramenta de trabalho, como atendentes, professores e equipes corporativas. Em dias de grandes eventos esportivos, como a partida entre Brasil e Japão, esse esforço pode ser ainda maior, já que muitas pessoas passam horas torcendo, gritando e comemorando. Ainda assim, o uso excessivo da voz nem sempre é percebido.

    “Existe, sim, uma sobrecarga vocal em alguns contextos. A voz entra em fadiga como qualquer outra função do corpo, principalmente quando usada sem pausas e sem os cuidados adequados”, afirma Nara.

    Ela destaca, no entanto, que o próprio ambiente digital também oferece alternativas para reduzir esse desgaste. “Hoje temos diferentes formas de comunicação por meio de texto, e-mail e plataformas digitais. E elas permitem variar o uso da voz e evitar o cansaço excessivo”, pontua.

    A especialista alerta também que mais do que o volume de fala, são os hábitos incorretos que mais impactam a saúde vocal. E muitos deles passam despercebidos na rotina. Ela enumera os principais erros. “Falar sem respirar adequadamente; não fazer pausas durante a fala; usar a voz de forma tensa ou sem entonação; falar com a boca seca”, afirma.

    Manter hábitos como alimentação adequada, além de evitar consumo de álcool em excesso e tabagismo, também são pontos relevantes. “Falar sem pausas é como tentar seguir uma frase sem vírgulas ou pontos. A respiração precisa acompanhar a fala. Essas pequenas pausas são essenciais para manter a qualidade vocal”, explica. A falta de pausas e de hidratação ao longo do dia é um dos principais fatores de desgaste vocal, segundo ela. E, embora resistente, a voz dá sinais quando está sendo mal utilizada.“A voz bem usada consegue atender toda a demanda do dia. Mas, quando há abuso, ela responde com sinais de cansaço, como pigarro, rouquidão e falhas”, alerta.

    Alguns sintomas, muitas vezes ignorados, podem indicar necessidade de cuidado. “A rouquidão e a sensação de ardor na garganta, sem sinais de gripe, especialmente ao fim do dia, são sinais importantes. Depois de situações de esforço intenso, como horas torcendo e gritando durante uma partida de futebol, esses sintomas também podem aparecer. Se a rouquidão durar mais de 15 dias ou houver dor ao engolir, é fundamental procurar avaliação profissional”, orienta a fonoaudióloga.

    Mudanças podem proteger

    Em meio à rotina corrida, preservar a voz exige atenção a hábitos simples e possíveis de aplicar no dia a dia. Entre as principais recomendações da fonoaudióloga estão: alternar formas de comunicação (texto, áudio, ligação); manter ingestão regular de água; adotar uma alimentação equilibrada; fazer pausas durante a fala; utilizar entonação para facilitar a comunicação.

    “Usar a voz com equilíbrio é essencial. Seja na rotina de trabalho ou durante a torcida pelo Brasil, pequenas mudanças de comportamento já fazem grande diferença na preservação da saúde vocal”, finaliza Nara.

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