A sessão da Câmara Municipal de São Luís desta quarta-feira (27) foi marcada por tensão, protestos e troca de acusações durante o debate sobre a chamada “lei dos banheiros” em São Luís.
O clima esquentou após discursos de vereadores sobre o uso de sanitários por pessoas trans em espaços públicos. Manifestantes acompanharam a sessão das galerias e reagiram às falas dos parlamentares, provocando momentos de confusão no plenário.
Ao final da sessão, os trabalhos foram encerrados por falta de quórum.
Falas de vereadores geraram protestos no plenário
Durante o pequeno expediente, vereadores ligados à base conservadora defenderam projetos relacionados ao uso de banheiros públicos e criticaram a presença de mulheres trans em espaços femininos.
A vereadora Flávia Bertier afirmou que se sente constrangida ao dividir banheiros femininos com mulheres trans e classificou a situação como uma ameaça aos direitos das mulheres.
Já o vereador Marquinhos defendeu a criação de um “banheiro inclusivo” e argumentou que a medida seria uma alternativa para preservar a privacidade das chamadas “mulheres biológicas”.
As declarações provocaram reações imediatas de manifestantes presentes na galeria da Câmara.
Coletivo Nós criticou debate e falou em “cortina de fumaça”
O vereador Jonathan Soares, do Coletivo Nós, criticou os discursos feitos no plenário e afirmou que o debate estaria desviando o foco de problemas considerados prioritários na capital maranhense.
Segundo o parlamentar, políticas públicas de segurança, proteção às mulheres e estruturação de serviços sociais deveriam receber maior atenção da Câmara.
Durante o pronunciamento, Jonathan Soares citou medidas como fortalecimento da Patrulha Maria da Penha, melhorias em iluminação pública e estruturação dos Conselhos Tutelares como ações mais efetivas para proteção da população.
Sessão terminou sem votações após falta de quórum
Após os debates e protestos, a sessão acabou sendo encerrada por falta de quórum, impossibilitando a continuidade das votações previstas para o dia.
O encerramento gerou críticas de parlamentares da oposição, que acusaram vereadores de abandonarem o plenário após os discursos políticos.
Lei segue sendo questionada na Justiça
A legislação discutida na Câmara também enfrenta questionamentos no Judiciário. A Defensoria Pública do Estado do Maranhão ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça do Maranhão para contestar a validade da norma.
O caso ainda aguarda análise da Justiça maranhense.
Debate divide opiniões em todo o país
Discussões sobre regras de utilização de banheiros públicos por pessoas trans têm provocado debates em diferentes estados brasileiros e envolvem temas ligados a direitos civis, identidade de gênero, segurança e inclusão social.
Enquanto grupos conservadores defendem restrições com base em argumentos de privacidade e segurança, movimentos LGBTQIA+ e entidades de direitos humanos afirmam que medidas desse tipo podem ampliar situações de discriminação e exclusão.
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