
As notificações de violência contra crianças e adolescentes registraram um crescimento superior a 120% no Brasil nos últimos cinco anos. Os dados são do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, e foram analisados pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM).
Segundo o levantamento, o número de registros passou de pouco mais de 70 mil, em 2020, para mais de 160 mil em 2025. Ao todo, o sistema contabilizou mais de 680 mil notificações envolvendo vítimas de até 18 anos nesse período.
Meninas são as principais vítimas
A análise mostra que as meninas representam a maior parte das vítimas, correspondendo a mais de 60% das notificações. Os meninos aparecem em cerca de 38% dos registros.
Entre os tipos de violência, a sexual lidera as ocorrências, respondendo por 34% dos casos. Em seguida aparecem a negligência e o abandono, com 33,3%, e a violência física, responsável por 32,9% das notificações.
Maioria das agressões ocorre dentro de casa
O estudo aponta que o ambiente doméstico continua sendo o principal cenário das agressões.
Entre os casos analisados, a mãe foi identificada como autora da violência em 34% das notificações, enquanto o pai apareceu em 26% dos registros.
Os pesquisadores destacam que esses dados refletem apenas os casos oficialmente notificados e reforçam a importância de ampliar os mecanismos de prevenção, proteção e denúncia.
Adolescentes concentram maior número de registros
Por faixa etária, os adolescentes representam o grupo com maior número de notificações. Eles concentram 43% dos registros, somando mais de 290 mil casos.
Na primeira infância, que compreende crianças de até seis anos, foram registrados mais de 250 mil casos. Já entre crianças de sete a 12 anos, o levantamento contabilizou aproximadamente 130 mil notificações.
Nordeste registra maior crescimento
De acordo com a SPDM, o Nordeste foi a região que apresentou a maior variação percentual no número de notificações entre 2020 e 2025, com aumento de 1.200%.
Na sequência aparecem:
- Norte: 809%;
- Centro-Oeste: 508%;
- Sul: 421%;
- Sudeste: 221%.
Os dados reforçam a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas à proteção da infância e da adolescência, além de incentivar a denúncia de casos de violência para garantir atendimento às vítimas e responsabilização dos agressores.
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