O Ministério da Saúde iniciou a distribuição das primeiras 514 mil doses da nova vacina pneumocócica conjugada 20-valente, conhecida como pneumo 20. O imunizante será oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e amplia a proteção contra doenças graves causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, como pneumonia, meningite, sepse e otite.
A expectativa é que as doses estejam disponíveis nas unidades básicas de saúde de todo o país a partir da segunda quinzena de junho, conforme os estados concluam o repasse aos municípios.
Quem poderá receber a nova vacina?
A pneumo 20 será destinada inicialmente aos seguintes grupos:
- Crianças menores de 5 anos;
- Povos indígenas com mais de 5 anos sem histórico de vacinação pneumocócica conjugada;
- Idosos com 60 anos ou mais acamados ou institucionalizados;
- Pessoas com condições clínicas especiais atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
Até o fim do ano, o governo federal prevê distribuir mais de 6,1 milhões de doses em todo o Brasil.
Proteção ampliada contra doenças graves
O principal diferencial da nova vacina é a proteção contra 20 sorotipos da bactéria pneumocócica, incluindo variantes associadas aos casos mais graves da doença, como os sorotipos 3, 6A e 19A.
Além de ajudar a prevenir pneumonia e meningite, o imunizante também reduz o risco de otite média, uma infecção que pode provocar complicações sérias, incluindo perda auditiva e infecções generalizadas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, as doenças pneumocócicas continuam entre as principais causas de mortalidade infantil por enfermidades que podem ser prevenidas por vacinação.
Dados preocupam autoridades de saúde
Entre 2023 e 2025, o Brasil registrou aproximadamente 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e cerca de 1,4 mil mortes relacionadas à doença.
Dados do Ministério da Saúde apontam ainda que, entre 2024 e outubro de 2025, foram realizados mais de 34 mil atendimentos no SUS relacionados a infecções causadas pela bactéria pneumocócica. Somente em 2025, 365 crianças com até cinco anos precisaram ser internadas por complicações dessas doenças.
A expectativa é que a ampliação da cobertura vacinal reduza significativamente os casos graves, as internações hospitalares e os óbitos, além de diminuir os custos do sistema público de saúde.
Como ficará o calendário de vacinação?
Durante a fase de transição para a nova vacina, o esquema vacinal infantil será realizado da seguinte forma:
- Uma dose da pneumo 20 aos 2 meses de idade;
- Uma dose da pneumo 10 aos 4 meses;
- Uma dose de reforço da pneumo 20 aos 12 meses.
O modelo será mantido até o término dos estoques da vacina pneumo 10. Após esse período, o calendário passará a utilizar exclusivamente a pneumo 20.
Histórico vacinal poderá ser acompanhado pelo celular
Pais e responsáveis poderão consultar o histórico de vacinação das crianças por meio do aplicativo oficial do SUS, o Meu SUS Digital, que disponibiliza a Caderneta Digital de Saúde da Criança.
A nova vacina recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária em dezembro de 2023 e começou a ser comercializada na rede privada em 2025, com custo médio de aproximadamente R$ 500 por dose. Agora, com a incorporação ao SUS, o imunizante passa a ser disponibilizado gratuitamente para os grupos prioritários.
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