
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) divulgou o relatório final da investigação sobre o incidente envolvendo o foguete HANBIT-Nano, ocorrido em 23 de dezembro de 2025 no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.
A conclusão representa um marco histórico para o setor aeroespacial brasileiro, já que se trata da primeira investigação de uma ocorrência espacial concluída e publicada pelo órgão desde a criação do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes em Atividades Espaciais (SIPAE).
O acidente resultou na destruição completa do veículo lançador, mas não deixou feridos nem provocou danos fora da área de segurança estabelecida para a operação.
Falha técnica provocou perda do foguete
De acordo com o relatório, o lançamento apresentou comportamento considerado normal durante os primeiros momentos do voo.
Entretanto, uma falha técnica registrada ainda na fase inicial da missão comprometeu a operação e levou à perda total do foguete HANBIT-Nano.
O documento concluiu que o veículo não conseguiu completar sua trajetória planejada, sendo destruído durante a missão.
Apesar da gravidade do incidente, não houve vítimas nem impactos à população, já que todos os protocolos de segurança previstos para esse tipo de operação foram cumpridos.
Investigação contou com apoio internacional
Os resultados da apuração foram apresentados em Brasília pelo coronel aviador Alexander Coelho Simão, responsável pela investigação.
O trabalho envolveu a participação de especialistas brasileiros e também representantes da empresa sul-coreana Innospace, responsável pelo desenvolvimento do foguete, além da agência espacial da Coreia do Sul, a Korea AeroSpace Administration (KASA).
A cooperação internacional permitiu acesso a dados técnicos e informações fundamentais para a identificação dos fatores que contribuíram para a ocorrência.
Segundo os investigadores, a troca de informações entre os países foi essencial para aprofundar a análise dos sistemas envolvidos na missão.
Brasil avança na segurança espacial
O chefe do CENIPA, brigadeiro do ar Alexandre Avellar Leal, destacou que o objetivo principal da investigação não foi apenas esclarecer o ocorrido, mas produzir conhecimento para evitar acidentes semelhantes no futuro.
O relatório também gerou recomendações de segurança voltadas ao aperfeiçoamento das operações espaciais realizadas em território brasileiro.
As orientações devem contribuir para a evolução dos protocolos de lançamento, monitoramento e gestão de riscos em futuras missões espaciais.
O que é o SIPAE?
O Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes em Atividades Espaciais (SIPAE) foi criado em 2024 por meio da Lei nº 14.946.
A legislação atribuiu ao Comando da Aeronáutica (COMAER), em coordenação com a Agência Espacial Brasileira (AEB), a responsabilidade pela investigação de ocorrências espaciais em território nacional.
Dentro dessa estrutura, o CENIPA atua como órgão central das investigações.
O modelo segue padrões internacionais adotados por países com programas espaciais avançados e coloca o Brasil entre as poucas nações que possuem um sistema específico para análise e prevenção de acidentes espaciais.
Alcântara reforça papel estratégico para o setor espacial
O episódio também reforça a importância estratégica do Centro de Lançamento de Alcântara para o programa espacial brasileiro.
Localizado no Maranhão, o complexo é considerado uma das bases de lançamento mais privilegiadas do mundo devido à sua proximidade com a Linha do Equador, característica que reduz custos operacionais e aumenta a eficiência dos lançamentos.
Mesmo diante do incidente, especialistas destacam que a investigação bem-sucedida fortalece a credibilidade do Brasil na área espacial ao demonstrar capacidade técnica para apurar ocorrências, identificar falhas e implementar melhorias voltadas à segurança operacional.
A expectativa é que as recomendações emitidas pelo CENIPA contribuam para ampliar a confiabilidade dos próximos lançamentos realizados em Alcântara e impulsionem o desenvolvimento da indústria espacial brasileira.
Compartilhe isso:
- Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
- Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
- Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
- Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
- Compartilhar no X(abre em nova janela) X

