
A prisão em flagrante do vereador Beto Castro (Avante), durante a Operação Benedictio, provocou uma reviravolta no cenário político da Câmara Municipal de São Luís e pode alterar os rumos da disputa pela presidência da Casa para o segundo biênio da atual legislatura.
Até poucos dias atrás, o parlamentar era apontado nos bastidores como um dos principais favoritos para comandar o Legislativo municipal. Com uma ampla articulação política construída ao longo dos últimos meses, Beto Castro já contava com o apoio declarado de pelo menos 16 vereadores, número considerado suficiente para garantir sua eleição.
Agora, porém, a investigação conduzida pelo Ministério Público do Maranhão e pela Polícia Civil lança dúvidas sobre o futuro político do parlamentar e abre espaço para uma nova reorganização das forças dentro da Câmara.
Operação encontrou dinheiro, arma e veículo de luxo
A Operação Benedictio foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) em conjunto com a Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic).
Durante o cumprimento dos mandados judiciais, os investigadores encontraram aproximadamente R$ 700 mil em espécie na residência do vereador. Segundo as autoridades, cerca de R$ 400 mil estavam em um cômodo do imóvel e outros R$ 315 mil foram localizados em outro ambiente.
Além do dinheiro, também foram apreendidos uma pistola calibre 9 milímetros de uso restrito, aparelhos celulares e um veículo de luxo.
A repercussão imediata da operação atingiu diretamente o projeto político que vinha sendo construído por Beto Castro para chegar à presidência da Câmara.
Vereador deixa prisão, mas segue investigado
Apesar da prisão em flagrante, a Justiça do Maranhão concedeu liberdade provisória ao parlamentar ainda na segunda-feira (15).
Entre as medidas cautelares impostas estão a obrigação de comparecimento periódico à Justiça e a proibição de deixar a comarca de São Luís sem autorização judicial.
A decisão garante sua liberdade enquanto as investigações prosseguem, mas não elimina os impactos políticos provocados pela operação.
Investigação aponta suposto esquema de R$ 9,6 milhões
Segundo o Ministério Público, a Operação Benedictio investiga uma organização criminosa suspeita de desviar aproximadamente R$ 9,6 milhões em recursos públicos destinados a projetos sociais.
As apurações começaram a partir da análise de prestações de contas relacionadas à execução de convênios e emendas parlamentares.
Além de Beto Castro, outros investigados tiveram mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça. O grupo é suspeito de envolvimento em crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos e fraude na execução de projetos sociais.
De acordo com os investigadores, o esquema teria utilizado empresas de fachada, operadores financeiros e colaboradores responsáveis por ocultar a movimentação dos recursos.
Suspeita de ligação com facção aumenta gravidade do caso
Um dos aspectos mais sensíveis da investigação envolve a suposta ligação da organização com o Primeiro Comando do Maranhão (PCM).
Conforme o Ministério Público, parte dos recursos desviados teria sido utilizada para financiar estruturas de proteção privada voltadas à atuação do grupo criminoso em áreas sob sua influência.
Na decisão que autorizou as medidas cautelares, a Justiça destacou a necessidade de interromper a atuação da organização e preservar a ordem pública diante da gravidade dos fatos investigados.
Disputa pela presidência da Câmara entra em nova fase
A prisão de um dos principais nomes da sucessão da Mesa Diretora cria um novo ambiente político dentro da Câmara Municipal de São Luís.
Nos bastidores, vereadores que haviam declarado apoio à candidatura de Beto Castro passaram a acompanhar com cautela os desdobramentos da investigação. O cenário pode favorecer o fortalecimento de outros pré-candidatos interessados na presidência da Casa.
A eleição ganhou ainda mais relevância após a mudança no calendário interno aprovada por meio da Emenda à Lei Orgânica nº 004/2025, que transferiu a escolha da Mesa Diretora para o segundo semestre do segundo ano da legislatura.
Com a disputa prevista para os próximos meses, o avanço ou não das investigações poderá ter influência direta na formação das alianças e no resultado da eleição que definirá o comando do Legislativo ludovicense.
Operação é resultado de investigação de longo prazo
Segundo o coordenador do Gaeco, Haroldo Paiva de Brito, a operação representa o resultado de diversas etapas investigativas envolvendo inteligência financeira, análise de documentos, cruzamento de dados e ações de campo.
Durante a ofensiva, foram apreendidos celulares, computadores, mídias digitais, documentos contábeis, dinheiro em espécie, armas e veículos de alto valor.
Batizada de “Benedictio”, palavra latina que significa “abençoado”, a operação faz referência ao Instituto Sê Tu Uma Bênção, entidade investigada por supostamente ter sido utilizada para operacionalizar o esquema investigado.
Enquanto o processo segue em andamento, os investigados permanecem amparados pelo direito à ampla defesa e ao contraditório.
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